Polifarmácia e fatores associados em indivíduos com transtornos mentais internados em residenciais terapêuticos

Autores

  • Paula Manfredi Universidade de Passo Fundo (UPF)
  • Ana Luisa Sant’Anna Alves Universidade de Passo Fundo - (UPF)
  • Miriam Mattos Universidade de Passo Fundo - (UPF)
  • Lisiane Mella Universidade de Passo Fundo - (UPF)
  • Roberta Aparecida Borges Brito Dalpaz Universidade de Passo Fundo - (UPF)
  • Bernadete Maria Dalmolin Universidade de Passo Fundo - (UPF)

DOI:

https://doi.org/10.23925/1984-4840.2026v28a15

Palavras-chave:

Polimedicação, Preparações Farmacêuticas, Transtornos Mentais, Saúde Mental, Internação

Resumo

Objetivo: a doença mental acomete cerca de quase um bilhão de pessoas no mundo. O Brasil é um dos países que apresenta elevada prevalência de transtornos mentais, variando de 20% a 56%. O aumento na taxa de mortalidade nessa população está associado aos efeitos dos antipsicóticos, principalmente quando há polifarmácia. Diante disso, o objetivo deste trabalho é verificar a prevalência de polifarmácia e fatores associados em indivíduos com transtornos mentais internados em residenciais terapêuticos no município de Passo Fundo, Rio Grande do Sul. Materiais e Métodos: trata-se de estudo transversal, com dados coletados de prontuários de indivíduos residentes em instituições terapêuticas privadas do município de Passo Fundo. Para a coleta dos dados dos prontuários, utilizou-se formulário padronizado e pré-codificado. O desfecho de polifarmácia foi caracterizado quando evidenciada a utilização de cinco ou mais medicamentos de uso contínuo. Resultados: foram investigados 254 indivíduos em situação de moradia em residenciais terapêuticos, e a prevalência de polifarmácia foi de 55,6%. A maioria não possuía doença clínica (65,1%) e fazia uso de medicação psiquiátrica (97,2%) e clínica (52,1%). Nas análises bivariada e multivariada, foi possível verificar menor prevalência de polifarmácia entre os indivíduos que não apresentavam doença clínica e com menor tempo de internação (p < 0,05). Conclusão: a presente pesquisa identificou elevada prevalência de polifarmácia e, como fatores associados, verificou a presença de doença clínica e tempo de internação. Esses resultados merecem atenção, pois se trata de indivíduos jovens, com risco de mortalidade precoce devido à própria condição clínica.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Métricas

Carregando Métricas ...

Biografia do Autor

Ana Luisa Sant’Anna Alves, Universidade de Passo Fundo - (UPF)

Graduada em Nutrição. Mestrado em Ciências da Saúde. Doutorado em Epidemiologia.

Miriam Mattos, Universidade de Passo Fundo - (UPF)

Graduada em Psicologia. Mestre em Educação

Lisiane Mella, Universidade de Passo Fundo - (UPF)

Graduada em Psicologia. Mestrado em Educação. Doutorado em Educação

Roberta Aparecida Borges Brito Dalpaz, Universidade de Passo Fundo - (UPF)

Graduada em Pedagogia.

Bernadete Maria Dalmolin, Universidade de Passo Fundo - (UPF)

Graduada em Enfermagem. Mestrado e Doutorado em Saúde Pública. Reitora da Universidade de Passo Fundo.

Referências

1. World Health Organization. World mental health report: transforming mental health for all. Geneva: WHO; 2022.

2. Carvalho VCHS, Krepsky PB, Rocha AMP, Santos MFS. Usuários do CAPS II: nutrição e qualidade de vida. Rev Psi Divers Saúde. 2018;7(3):338-50. doi: 10.17267/2317-3394rpds.v7i3.1861.

3. Silva PAS, Rocha SV, Santos LB, Santos CA, Amorim CR, Vilela ABA. Prevalência de transtornos mentais comuns e fatores associados entre idosos de um município do Brasil. Ciênc Saúde Colet. 2018;23(2):639-46. doi: 10.1590/1413-81232018232.12852016.

4. World Health Organization. Esquizofrenia [Internet]. Genebra: WHO; 2018. Disponível em: http://www.who.int/es/ news-room/fact-sheets/detail/schizophrenia

5. Ren J, Duan Y, Wang J, Sun Y, Wang M, Geng Z, at al. Mortality and excess life-years lost in patients with schizophrenia under community care: a 5-year follow-up cohort study. Braz J Psychiatry, 2023;45(3):216-25. doi: 10.47626/1516-4446-2022-2918.

6. Clezar EM, Bianchi GN, Garcia LSB. Análise da readmissão hospitalar do paciente com diagnóstico de esquizofrenia em um hospital psiquiátrico de referência no sul catarinense. Arq Catarin Med. 2018;47(3):133-45. Disponível em: https://revista.acm.org.br/arquivos/article/view/460.

7. Machado FP, Soares MH, Francisquini PD, Luis MAV, Martins JT. Fatores relacionados ao comprometimento psíquico e qualidade de vida de portadores de esquizofrenia. Rev Bras Enferm. 2021;74(5):e20190060. doi: 10.1590/0034-7167-2019-0060.

8. Stucchi-Portocarrero S, Saavedra JE. Polifarmacia psiquiátrica en personas com esquizofrenia en un establecimiento público de salud mental en Lima. Rev Neuropsiquiatr. 2018;81(3):145-53. doi: 10.20453/rnp.v81i3.3382.

9. Andrade RC, Santos MM, Ribeiro EE, Santos Júnior JDO, Campos HLM, De Leon EB. Polifarmácia, medicamentos potencialmente inapropriados e a vulnerabilidade de pessoas idosas. Rev Bras Geriatr Gerontol. 2024;27:e230191. doi: 10.1590/1981-22562024027.230191.pt.

10. Lemos LS, Suarta MW, Huszcz GB, Rodrigues CG, Rocha EQ, Silva BM, Oliveira MV. Incidência da polifarmácia em idosos com doenças crônicas. Rev Eletrônica Acervo Saúde. 2023;23(2):e11589. doi: 10.25248/reas.e11589.2023.

11. Andrade SCV, Marcucci RMB, Faria LFC, Paschoal SMP, Rebustini F, Melo RC. Perfil de saúde dos idosos assistidos pelo Programa Acompanhante de Idosos na Rede de Atenção à Saúde do Município de São Paulo. Einstein (São Paulo). 2020;18:1-8. doi: 10.31744/einstein_journal/2020AO5263.

12. Krishnamoorthy A, Baldwin A. Management of schizophrenia. GM J [Internet]. 2011 [acesso em 06 ago 2021]. Disponível em: https://www.gmjournal.co.uk/management-of-schizophrenia.

13. Santa Helena E, Oliveira VC, Neves JOR. Polifarmácia e padrão de utilização de medicamentos em Pomerode, SC. Arq Catarin Med. 2018;47(2):124-36. doi: 10.63845/zm3ykh44.

14. Tostes JG, Vasconcelos ACB, Tostes CBS, Brito KAND, Souza TFS, Freitas RL. Esquizofrenia e cognição: entendendo as dimensões atencionais, perceptuais e mnemônicas da esquizofrenia. Psicol Pesqui. 2020;14(4):102-19. doi: 10.34019/1982-1247.2020.v14.30284.

15. Organização Mundial da Saúde. Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10). 10ª ed. rev. São Paulo: Universidade de São Paulo; 1997.

16. Guttier MC, Silveira MPT, Tavares NUL, Krause MC, Bielemann RM, Gonzalez MC et al. Dificuldades no uso de medicamentos por idosos acompanhados em uma coorte do Sul do Brasil. Rev Bras Epidemiol. 2023;26:e230020. doi: 10.1590/1980-549720230020.2.

17. Tiguman GMB, Biase TMMA, Silva MT, Galvão TF. Prevalência e fatores associados à polifarmácia e potenciais interações medicamentosas em adultos na cidade de Manaus: estudo transversal de base populacional, 2019. Epidemiol Serv Saúde. 2022; 31(2): e202165. doi: 10.1590/S2237-96222022000200003.

18. Silva SA, Figueiredo KA, Spindola DB. Polifarmácia psicotrópica e a medicalização da vida em um Centro de Atenção Psicossocial álcool e outras drogas no Distrito Federal. Health Res J (HRJ). 2023;4(19):78-89. doi: 10.51723/hrj.v4i19.520.

19. Bandeira VAC, Schneider A, Colet CF. Interações medicamentosas potenciais em um centro de atenção psicossocial adulto. Rev Interdisc Est Saúde. 2023;12:1-10. doi: 10.33362/ries.v12i1.1883.

20. Gaudiano BA, Guzman Holst C, Morena A, Reeves LE, Sydnor VJ, et al. Complex polypharmacy in patients with schizophrenia-spectrum disorders before a psychiatric hospitalization. J Clin Psychopharmacol. 2018;38(3):180–7. doi: 10.1097/JCP.0000000000000876.

21. Muniz CAV, Ferreira CA, De Portella YMC, Silva IMC. Prevalência e fatores associados à polifarmácia em pacientes atendidos em um ambulatório público de geriatria. Cad UNIFOA. 2024;19(54):1-9. doi: 10.47385/cadunifoa.v19.n54.4984.

22. Cieslack ILF, Dembrinski AA, Maffezoli AM, Serbena DR, Chao BMP, Tortorella CCS, et al. Análise do perfil medicamentoso e fatores associados à polifarmácia em pacientes idosos assistidos durante uma ação extensionista. Rev Observ Econ Latinoam. 2024;22(3):01-12. doi: 10.55905/oelv22n3-014.

23. Lung SLM, Lee HME, Chen YHE, Chan KWS, Chang WC, Hui LMC. Prevalence and correlates of antipsychotic polypharmacy in Hong Kong. Asian J Psychiatr. 2018;(33):113-20. doi: 10.1016/j.ajp.2018.03.012.

24. Castillo Pérez L, Ortiz Sánchez Y, Saumell del Castillo LL, Grant Gómez KC, Gondres Barreiro Y. Estudio de utilización de fármacos antipsicóticos en el hospital psiquiátrico Manuel Piti Fajardo de Manzanillo. Multimed [Internet]. 2022;26(5):e2156. Disponível em: http://scielo.sld.cu/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1028-48182022000500006&lng=es.

25. Armstrong KS, Temmingh H. Prevalence of and factors associated with antipsychotic polypharmacy in patients with serious mental illness: findings from a cross-sectional study in an upper-middle-income country. Braz J Psychiatry. 2017;39(4):293-301. doi: 10.1590/1516-4446-2016-2015.

26. Kadra G, Stewart R, Shetty H, Downs J, MacCabe JH, Taylor D, et al. Predictors of long-term (≥ 6 months) antipsychotic polypharmacy prescribing in secondary mental healthcare. Schizophrenia Res. 2016;174(1-3):106-12. doi: 10.1016/j.schres.2016.04.010.

27. Oliveira MVP, Buarque DC. Polifarmácia e medicamentos potencialmente inapropriados em idosos admitidos em um hospital terciário. Geriatr Gerontol Aging. 2018;12(1):38-44. doi: 10.5327/Z2447-211520181800001.

28. Silveira RR, Soares DB, Alves ACN, Barbosa LAO, Alves SN, Baldoni AO, et al. Pacientes do componente especializado da assistência farmacêutica: qual a frequência e o perfil das potenciais interações medicamentosas? Biosaúde. 2020;22(1):14-26.

Downloads

Publicado

2026-05-07

Como Citar

Manfredi, P., Alves, A. L. S., Mattos, M., Mella, L., Dalpaz, R. A. B. B., & Dalmolin, B. M. (2026). Polifarmácia e fatores associados em indivíduos com transtornos mentais internados em residenciais terapêuticos. Revista Da Faculdade De Ciências Médicas De Sorocaba, 28(Fluxo contínuo), e67618. https://doi.org/10.23925/1984-4840.2026v28a15