Atraso no fornecimento de medicamentos e suas consequências na qualidade de vida de pacientes com doenças inflamatórias intestinais
um estudo transversal em Santa Catarina
DOI:
https://doi.org/10.23925/1984-4840.2026v28a22Palavras-chave:
Doença de Chron, Proctolite, Doenças Inflamatórias Intestinais, Atraso no Tratamento, Qualidade de Vida, Preparações FarmacêuticasResumo
Objetivo: avaliar a relação entre atrasos no fornecimento de medicamentos e a qualidade de vida de pacientes com doenças inflamatórias intestinais em Santa Catarina, Brasil. Métodos: estudo transversal retrospectivo com 165 adultos com doença de Crohn (n = 83) e retocolite ulcerativa (n = 82), recrutados entre março e junho de 2025 por meio de instituições de saúde e de grupos virtuais. Dados sociodemográficos, clínicos e terapêuticos foram coletados por meio de um questionário estruturado. A atividade da doença foi avaliada pelos índices de Harvey–Bradshaw e de Mayo Partial Score, e a qualidade de vida, pelos domínios do WHOQOL-BREF. Realizaram-se análises descritivas e de associação (teste do qui-quadrado, ANOVA e regressão logística). Resultados: atrasos no fornecimento de medicamentos ocorreram em 50,9% dos participantes, especialmente na entrega de biológicos. Esses atrasos associaram-se à maior atividade da doença (sangramento intestinal: 48% vs. 22%; p <0,001), complicações graves (fístulas: 38% vs. 18%; p = 0,009) e pior qualidade de vida (OR = 0,48; IC 95% 0,24 – 0,96 para sono inadequado). Conclusão: os resultados indicam que o atraso no fornecimento de medicamentos no âmbito do SUS afeta
negativamente o controle clínico e a qualidade de vida de pacientes com DII, evidenciando a necessidade de aprimorar a gestão logística e a equidade no acesso aos insumos terapêuticos.
Downloads
Métricas
Referências
1. Moreira AL, Selvaratnam S, Bassett R, Sandhu G, Kerman D, Kerman S, et al. Geosocial features and loss of biodiversity underlie variable rates of inflammatory bowel disease in a large developing country: a population-based study. Inflamm Bowel Dis. 2022;28(11):1696-708. doi: 10.1093/ibd/izab346.
2. Baumgart DC, Le Berre C. Newer biologic and small-molecule therapies for inflammatory bowel disease. N Engl J Med. 2021;385(14):1302-15. doi: 10.1056/NEJMra1907607.
3. De Simone B, Davies J, Chouillard E, Di Saverio S, Hoentjen F, Tarasconi A, et al. WSES-AAST guidelines: management of inflammatory bowel disease in the emergency setting. World J Emerg Surg. 2021;16(1):23-7.
4. Privitera G, Pugliese D, Lopetuso LR, Scaldaferri F, Papa A, Rapaccini GL, et al. Orphan patients with inflammatory bowel disease - when we treat beyond evidence. World J Gastroenterol. 2021 Dec 21;27(47):8047-8057. doi: 10.3748/wjg.v27.i47.8047.
5. Salgado VCL, Luiz RR, Boechat N, Schorr BC, Leão IS, Nunes T, et al. Crohn's disease environmental factors in the developing world: a case-control study in a statewide catchment area in Brazil. World J Gastroenterol. 2017;23(30):5549-56.
6. Alvarez-Lobos M, Pizarro DP, Palavecino CE, Espinoza A, Sebastián VP, Alvarado JC, et al. Role of Salmonella enterica exposure in Chilean Crohn's disease patients. World J Gastroenterol. 2013;19(35):5855-62.
7. Lichtenstein GR, Loftus EV, Isaacs KL, Regueiro MD, Gerson LB, Sands BE. ACG clinical guideline: management of Crohn's disease in adults. Am J Gastroenterol. 2018;113(4):481-517. doi: 10.14309/ajg.0000000000003465.
8. Spekhorst LM, Visschedijk MC, Alberts R, Festen EA, van der Wouden EJ, Dijkstra G, et al. Performance of the Montreal classification for inflammatory bowel diseases. World J Gastroenterol. 2014;20(41):15374-81. doi:10.3748/wjg.v20.i41.15374.
9. Echarri A, Vera I, Ollero V, García-Alonso FJ, Castro J, Gallego A, et al. The Harvey-Bradshaw Index adapted to a mobile application compared with in-clinic assessment: the MediCrohn study. Telemed J E Health. 2020;26(1):80-8. doi: 10.1089/tmj.2018.0264.
10. Lewis JD, Chuai S, Nessel L, Lichtenstein GR, Aberra FN, Ellenberg JH. Use of the noninvasive components of the Mayo score to assess clinical response in ulcerative colitis. Inflamm Bowel Dis. 2008;14(12):1660-6. doi: 10.1002/ibd.20520.
11. Lin LC, Yao G. Validation of the factor structure of the WHOQOL-BREF using meta-analysis of exploration factor analysis and social network analysis. Psychol Assess. 2022;34(7):660-70. doi: 10.1037/pas0001122.
12. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Resultados da segunda apuração do censo 2022 do Brasil com data de referência em 27 de outubro de 2023 [Internet]. 2023 [acesso em 9 out. 2025]. Disponível em: https://ftp.ibge.gov.br/Censos/Censo_Demografico_2022/
13. Li X, Song P, Li J, Tang S, Zhang J, Zhao J, et al. The disease burden and clinical characteristics of inflammatory bowel disease in the Chinese population: a systematic review and meta-analysis. Int J Environ Res Public Health. 2017;14(3):238. doi: 10.3390/ijerph14030238.
14. García-Serrano C, Mirada G, Estany P, Garcia-Planella E, Marín L, Gordillo J, et al. Analysis of sociodemographic and clinical characteristics of inflammatory bowel disease in Catalonia based on SIDIAP. J Clin Med. 2024;13(21):6476. doi: 10.3390/jcm13216476.
15. Moran GW, Gordon M, Sinopolou V, et al. British Society of Gastroenterology guidelines on inflammatory bowel disease in adults: 2025. Gut. 2025;74(Suppl 2):s1–101. doi: 10.1136/gutjnl-2024-334395.
16. Constant BD, Zoeten EF, Stahl MG, Saeed SA, Boyle BM, Hoffenberg EJ, et al. Delays related to prior authorization in inflammatory bowel disease. Pediatrics. 2022;149(3):e2021052501. doi: 10.1136/gutjnl-2024-334395.
17. Constant BD, Long MD, Scott FI, Higgins PDR. Insurer-mandated medication utilization barriers are associated with decreased insurance satisfaction and adverse clinical outcomes: an inflammatory bowel disease Partners survey. Am J Gastroenterol. 2024;119(10):2070-8. doi: 10.1093/ibd/izae020.105.
18. Vasudevan J, Mukkamala B, Dhother B, Ha K, Atreja A, Luo M. Delayed corticosteroid treatment for patients requiring hospitalization for acute inflammatory bowel disease exacerbations increases length of stay and risk for surgery in Crohn's disease. Dig Dis Sci. 2025;70(3):1160-6. doi: 10.1007/s10620-025-08907-1.
19. Fróes RSB, Andrade AR, Faria MAG, Parente JML, Sá CA, Zaltman C, et al. Clinical factors associated with severity in patients with inflammatory bowel disease in Brazil based on 2-year national registry data from GEDIIB. Sci Rep. 2024;14(1):4314. doi: 10.1038/s41598-024-54332-1
20. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria Conjunta SAES/SCTIE/MS nº 14, de 28 de novembro de 2017. Aprova o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença de Crohn. Diário Oficial da União. 29 nov. 2017.
21. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria Conjunta SAES/SCTIE/MS nº 22, de 20 de dezembro de 2021. Aprova o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Retocolite ulcerativa. Diário Oficial da União. 21 dez. 2021.
22. Ben Simon E, Vallat R, Barnes CM, Walker MP. Sleep loss and the socio-emotional brain. Trends Cogn Sci. 2020;24(6):435-50. doi: 10.1016/j.tics.2020.02.003.
23. Riemann D, Krone LB, Wulff K, Nissen C. Sleep, insomnia, and depression. Neuropsychopharmacology. 2020;45(1):74-89. doi: 10.1038/s41386-019-0411-y
24. Hombali A, Seow E, Yuan Q, Vaingankar JA, Chung WJ, Subramaniam M. Prevalence and correlates of sleep disorder symptoms in psychiatric disorders. Psychiatry Res. 2019;279:116-22. doi: 10.1016/j.psychres.2018.07.009.
25. Rozich JJ, Holmer A, Singh S. Effect of lifestyle factors on outcomes in patients with inflammatory bowel diseases. Am J Gastroenterol. 2020;115(6):832-40. doi: 10.14309/ajg.0000000000000608.
26. García-Mateo S, Martínez-Domínguez SJ, Gargallo-Puyuelo CJ, López de la Cruz J, Laredo V, Gomollón F. Lifestyle can exert a significant impact on the development of metabolic complications and quality life in patients with inflammatory bowel disease. Nutrients. 2023;15(18):3983. doi: 10.3390/nu15183983.
27. Choudhry NK, Kronish IM, Vongpatanasin W, Ferdinand KC, Hughes SB, Mann DM, et al. Medication adherence and blood pressure control: a scientific statement from the American Heart Association. Hypertension. 2022;79(1):e1-e14. doi: 10.1161/HYP.0000000000000203
28. Stark JL, Westberg LM. Where’s my med? Improving patient-specific medication storage for emergency department boarders. J Am Pharm Assoc (2003). 2024;64(2):569–76. doi: 10.1016/j.japh.2023.12.002.
29. Gabriel MH, Kotschevar CM, Tarver D, Gracia N, Jones K, Hersey D. Specialty pharmacy turnaround time impediments, facilitators, and good practices. J Manag Care Spec Pharm. 2022;28(11):1244-51. doi: 10.18553/jmcp.2022.28.11.1244.
30. Gubbert GP, Scherer C, Gava, HV. Perfil clínico-epidemiológico das doenças inflamatórias intestinais em Santa Catarina, Brasil. Version 1. Zenodo; 2025. doi: 10.5281/zenodo.16990023.
Downloads
Publicado
Como Citar
Licença
Copyright (c) 2026 Revista da Faculdade de Ciências Médicas de Sorocaba

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Os autores no momento da submissão transferem os direitos autorais, assim, os manuscritos publicados passam a ser propriedade da revista.
O conteúdo do periódico está licenciado sob uma Licença Creative Commons 4.0, esta licença permite o livre acesso imediato ao trabalho e que qualquer usuário leia, baixe, copie, distribua, imprima, pesquise ou vincule aos textos completos dos artigos, rastreando-os para indexação, passá-los como dados para o software, ou usá-los para qualquer outra finalidade legal.
Este obra está licenciada com uma Licença