Para além das cotas
os desafios da inclusão substantiva de candidatas nas eleições municipais de Belo Horizonte
DOI:
https://doi.org/10.23925/1982-6672.2025v18i53p7-24Palavras-chave:
Representação Política de Mulheres, Lei de Cotas, Eleições Municipais, Belo Horizonte, Partidos PolíticosResumo
Este artigo analisa os desafios enfrentados por candidatas a vereadora nas eleições municipais de 2020 em Belo Horizonte, investigando a distância entre a presença formal garantida pela Lei de Cotas e a inclusão substantiva das mulheres na política. A partir de uma abordagem mista, com análise de dados do TSE e entrevistas com candidatas, o estudo demonstra que os partidos políticos, ao cumprirem a cota de gênero, frequentemente negligenciam a oferta de condições materiais e simbólicas para uma disputa equitativa. Os resultados identificam barreiras estruturais como o financiamento desigual e a cultura partidária patriarcal, que perpetuam a sub-representação. A despeito desses obstáculos, as candidatas desenvolvem estratégias de resistência por meio da articulação comunitária. Conclui-se que a efetiva democratização da representação política exige medidas que ultrapassem a lógica das cotas e transformem as estruturas de poder partidárias, garantindo condições reais de competição e permanência para as mulheres.
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