Características clínicas e fonoaudiológicas e a transição alimentar em recém nascidos internados em uma UTI e em uma UCI neonatal
DOI:
https://doi.org/10.23925/2176-2724.2025v37i1e67849Palavras-chave:
Fonoaudiologia, Recém-nascido, Unidade de terapia intensiva neonatal, Unidade de Cuidados IntermediáriosResumo
Introdução: Para que a ingesta oral ocorra de forma segura, o neonato necessita de adequada coordenação entre sucção, deglutição e respiração (SxDxR). A idade gestacional corrigida e a maturação neurológica também são fatores fundamentais para o desenvolvimento dessa coordenação. Relacionar estes fatores pode auxiliar toda a equipe a estabelecer estratégias que venham a diminuir o estresse, o tempo de hospitalização e o tempo de transição alimentar. Objetivo: Analisar e correlacionar as características clínicas e fonoaudiológicas com a transição da dieta por sonda para dieta por via oral (VO) de recém-nascidos (RNs). Método: Estudo transversal, retrospectivo, analítico e descritivo de caráter quantitativo e qualitativo. Selecionaram-se prontuários de RNs que receberam acompanhamento fonoaudiológico entre 2020 e 2021. Resultados: Analisaram-se 88 prontuários. Quanto ao diagnóstico clínico, 40 (45,5%) neonatos apresentaram prematuridade. Verificou-se que o diagnóstico fonoaudiológico está associado à idade gestacional (IG) (p= 0,001) e ao peso ao nascer (PN) (p = 0,000). Os resultados mostram que variáveis como dias de vida na retirada da sonda (r = -0,533; p = 0,000), possuem correlação com IG e características como tempo de ventilação não invasiva (r = -0,368; p = 0,009), possuem correlação com o PN. Conclusão: Os achados demonstram que os RNs que fazem uso de ventilação, que têm o diagnóstico fonoaudiológico de disfagia ou de distúrbio transitório da deglutição, com menor IG, menor peso ao nascer, são os que apresentam um maior tempo de transição alimentar de sonda para VO.
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