Desempenho oromiofuncional na introdução alimentar de crianças prematuras acompanhadas em um ambulatório de follow-up

Autores

DOI:

https://doi.org/10.23925/2176-2724.2026v38i1e73801

Palavras-chave:

Alimentação complementar, Deglutição, Mastigação, Prematuro, Criança

Resumo

Objetivo: Avaliar o desempenho oromiofuncional na introdução alimentar de crianças prematuras atendidas em um ambulatório de follow-up. Método: Estudo descritivo, observacional, transversal e quantitativo, com uma amostra de 45 crianças prematuras aos seis meses de idade gestacional corrigida. Utilizou-se o protocolo Avaliação Miofuncional Orofacial com Escores Expandido Lactentes (versão reduzida) para avaliar motricidade orofacial na introdução alimentar. Os critérios de inclusão foram: crianças prematuras, com seis meses de idade corrigida, que fizeram uso de sonda orogástrica, sem alterações neurológicas ou sindrômicas, permanência em unidade de terapia intensiva neonatal e uso de via de alimentação oral preservada. As variáveis foram analisadas por meio de estatística descritiva e teste Exato de Fisher. Resultados:  As crianças avaliadas apresentaram idade gestacional entre 27 e 36 semanas e um dia, com peso ao nascer de 435 g a 3160 g. A média de permanência de internação foi de 19 dias, e média de 25 dias de uso de sonda orogástrica após nascimento até o desmame para via oral de alimentação. Não houve associação estatisticamente significativa entre as variáveis de idade gestacional, peso ao nascer, tempo de uso de sonda e tempo de internação em unidade de terapia intensiva neonatal com a avaliação oromiofuncional, embora o quantitativo de alterações tenha sido elevado em todos os grupos. Conclusão: Crianças avaliadas apresentaram elevada incidência de alterações motoras orais comprometendo o desempenho na introdução alimentar, independente das condições ao nascimento, evidenciando a necessidade de acompanhamento fonoaudiológico precoce e contínuo.

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Publicado

2026-03-27

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Artigos