Rupturas, continuidades e produção de sentidos na Doença de Alzheimer
discursos de pessoas idosas e seus familiares
DOI:
https://doi.org/10.23925/2176-2724.2026v38i1e74653Palavras-chave:
Doença de Alzheimer, Discurso, FonoaudiologiaResumo
Introdução: A Doença de Alzheimer (DA) é uma condição neurodegenerativa progressiva que ultrapassa o comprometimento cognitivo, afetando práticas sociais, relações familiares e modos de interação. Este estudo analisa narrativas de pessoas idosas com DA, compreendendo o discurso como prática social construída na interação e ancorada no contexto sociocognitivo, a fim de investigar como constroem sentidos sobre a experiência da doença a partir de temas emergentes. Metodologia: Estudo qualitativo, de natureza interpretativa, com análise temática de dados discursivos produzidos em entrevistas semidiretivas. Foram analisadas quatro entrevistas gravadas em áudio e vídeo, realizadas em 2018, com pessoas idosas diagnosticadas com DA e seus familiares. Resultados: Emergiram seis temas centrais: (i) experiência subjetiva da perda de memória e da desorientação; (ii) dependência progressiva e reorganização da autonomia; (iii) centralidade das relações familiares e do cuidado; (iv) narrativas do passado como eixo de estabilidade identitária; (v) rupturas discursivas e negociação interacional; e (vi) processo de descoberta do diagnóstico e significação da doença. Discussão: A experiência da DA mostrou-se discursivamente construída de forma relacional e situada. As rupturas são negociadas por estratégias colaborativas, evidenciando a participação ativa das pessoas idosas com DA na construção de sentidos, com implicações para intervenções fonoaudiológicas voltadas à promoção da agência comunicativa. Conclusão: No corpus analisado, o estudo indica que pessoas idosas com DA significam a experiência da doença de forma relacional e mobilizam estratégias interacionais para participar da construção de sentidos, oferecendo subsídios para práticas fonoaudiológicas sensíveis ao contexto comunicativo.
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