Escritura del delirio
La función continente en “Un soplo de vida” de Clarice Lispector
DOI:
https://doi.org/10.23925/lf.v17i2.72587Palabras clave:
Psicoanálisis; Clarice Lispector; Escritura del delirio; Función continente; Elaboración psíquica; Literatura y sufrimiento.Resumen
Entre la literatura y el psicoanálisis, esta reseña propone una escucha de la escritura de Un soplo de vida, de Clarice Lispector, como una experiencia-límite del lenguaje. Publicado póstumamente, pero escrito en paralelo a La hora de la estrella, el libro se configura como un tejido entre el narrador y su personaje, en un juego especular que tensiona los límites entre vida y ficción, sujeto y creación. Desde una perspectiva psicoanalítica, se argumenta que el texto clariceano realiza una escritura del delirio, funcionando como un continente para experiencias psíquicas de desorganización, fragmentación y dolor. La función continente, pensada aquí más allá del encuadre clínico tradicional, se desplaza al campo literario como un gesto ético y estético que acoge lo informe, lo indecible y el exceso. Escribir se vuelve, así, una forma de no desaparecer. A través de esta lectura, se propone un acercamiento entre los procesos de creación y elaboración psíquica, resaltando la potencia de la literatura como espacio de escucha y transmisión de estados mentales primitivos.
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