Saindo do castelo dos vampiros: a clínica da cultura de Mark Fisher

Autores

  • Nathan Athila Santos Luz PUC-SP - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.23925/lf.v17i2.74076

Palavras-chave:

Mark Fisher, Psicanálise, Semiótica, Freud, Lacan, Globalização, Subjetividade Contemporânea

Resumo

O artigo tem como objetivo apresentar a obra e os conceitos do filósofo Mark Fisher, do Realismo Capitalista ao Lento Cancelamento do Futuro, estabelecendo, por meio da semiótica e da psicanálise aplicada, uma análise semiótico-psicanalítica que se aproxima de um diagnóstico clínico-cultural do século XXI. Segundo Fisher, vivemos em uma época marcada por instâncias que impedem a inovação e a criação de alternativas viáveis ao colapso social, econômico e ambiental, isso se expressa de maneira particular na atitude política, na produção cultural e na forma de como tratamos a natureza.

Trata-se de uma paralisia no âmago do processo da globalização com efeitos significativos nas subjetividades e na vida cotidiana das pessoas. O autor considera que existe um excesso de acomodação do passado no presente que orienta e produz um congelamento temporal no contemporâneo. Essa imobilidade teria como consequência uma inovação inócua que não formula movimentos artísticos e políticos realmente eficazes e subversivos, muitos deles sendo incorporados facilmente à culturalização de mercado, processo que Fisher denominou de “ o lento cancelamento do futuro”.

Esse conceito refere-se à dificuldade de lidar com o passado e principalmente com as suas catástrofes recentes, ao mesmo tempo em que se tenta imaginar um futuro. Ele se relaciona a uma experiência de espaço-tempo desorientada, com uma série de deslocamentos e condensações que podem levar à perda de crença no futuro e à nostalgia melancólica. Para ele, tal confusão cultural pode se manifestar, inclusive, em diagnósticos relacionados a doenças neurodegenerativas e distúrbios de memória. Com isso, tenta também descentralizar o adoecimento psíquico do sujeito, afastando-o tanto da individualização total neoliberal quanto da bioquímica neuro-psiquiátrica.

Para isso, utiliza-se da psicanálise aplicada, articulando conceitos freudianos e lacanianos para balizar as principais causas dos sintomas de nossa época. Com sua tese do realismo capitalista, defende que a sociedade está impedida de produzir uma política que ultrapasse a lógica de consumo, de escala e intensidade que marca uma nova época geológica antropocênica, interpõe através da sua obra um corte contra a naturalização que transforma e dinamiza as pessoas em zumbis consumistas, incapazes de questionar e sonhar com outros futuros, e, por meio da semiótica e da psicanálise, desafiar as premissas que impedem os câmbios necessários para a sobrevivência da civilização.

Referências

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Publicado

2026-01-09

Como Citar

Santos Luz, N. A. (2026). Saindo do castelo dos vampiros: a clínica da cultura de Mark Fisher . Leitura Flutuante, 17(2). https://doi.org/10.23925/lf.v17i2.74076