Evolução dos padrões de mobilidade por gênero e suas transversalidades em Fortaleza, Brasil

Autores

Palavras-chave:

gênero, padrões de mobilidade, divisão sexual do trabalho, arranjo familiar, transversalidade

Resumo

Discussões sobre gênero têm se tornado relevantes na investigação de padrões de deslocamento nas cidades. As diferenças nos padrões de mobilidade entre os gêneros são influenciadas pela divisão sexual do trabalho, considerando a transversalidade com diferentes marcadores sociais. Este trabalho investiga a evolução das diferenças relativas aos padrões de viagens por gênero para a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) e sua relação com os marcadores sociais renda e arranjo familiar. Pesquisas Origem e Destino da RMF e testes estatísticos foram considerados para validar as diferenças em cada recorte. A renda se mostrou relevante, mas o arranjo familiar não explicou tão bem o fenômeno. De maneira geral, mulheres viajam mais, usam menos modos individuais motorizados e realizam mais viagens fora pico.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Métricas

Carregando Métricas ...

Biografia do Autor

Bianca Macêdo, Universidade Federal do Ceará

Universidade Federal do Ceará
Departamento de Engenharia de Transportes
Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Transportes - PETRAN / UFC

Germana Nunes de Oliveira Melo, Universidade Federal do Ceará

Universidade Federal do Ceará
Departamento de Engenharia de Transportes
Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Transportes - PETRAN / UFC

Carlo Felipe Grangeiro Loureiro, Universidade Federal do Ceará

Universidade Federal do Ceará
Departamento de Engenharia de Transportes
Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Transportes - PETRAN / UFC

Referências

ACTIONAID. (2016). Em pesquisa da ActionAid, 86% das brasileiras ouvidas dizem já ter sofrido assédio em espaços urbanos. Disponível em: https://actionaid.org.br/na_midia/em-pesquisa-da-actionaid-86-das-brasileiras-ouvidas-dizem-ja-ter-sofrido-assedio-em-espacos-urbanos/. Acesso em: 15 ago 2023.

ANAND, A; TIWARI, G. (2006). A gendered perspective of the shelter–transport–livelihood link: the case of poor women in Delhi. Transport Reviews. v. 26, n. 1, pp. 63-80.

BOARNET, M. G.; HSU, H. (2015). The gender gap in non-work travel: the relative roles of income earning potential and land use. Journal of Urban Economics, v. 86, p. 111-127.

BEAUVOIR, S. (1970). Segundo Sexo. São Paulo. 4. ed. São Paulo, Difusão Europeia do livro.

BOWMAN, J. L.; BEN-AKIVA, M. (1996). Activity based travel forecasting. In: Conference of activity based travel forecasting, 1996, Texas. Travel Model Improvement Program. Houston, US Department of Transportation and Environmental Protection, pp. 1–32.

BRASIL. (2019). Critério de Classificação Econômica. São Paulo, Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP).

BUENO, S.; LIMA, R.S.; NEME, C.; SANTIAGO, D.; VILLA, E.; SOBRAL, I.; ZAPATER, M.; SCARANCE, V. (2019) Visível e Invisível: A vitimização de mulheres no Brasil. São Paulo –2ª Edição, Fórum Brasileiro de Segurança Pública-Datafolha.

CRANE, R. (2007). Is There a Quiet Revolution in Women’s Travel? Revisiting the Gender Gap in Commuting. Journal of the American Planning Association, vol. 73, n. 3, p. 298–316.

CRENSHAW, K. (1989). Demarginalizing the Intersection of Race and Sex: A black Feminist Critique of Antidiscrimination Doctrine Feminist Theory and Antiracist Politics. University of Chicago Legal Forum, Illinois. Vol. 1989, Article 8. pp.139-167.

DA MOTTA, A. B. (1999). As dimensões de gênero e classe social na análise do envelhecimento. Cadernos Pagu. Campinas, n. 13, pp. 191-221.

DE MORAES, M. L. Q. (1998). Usos e limites da categoria gênero. Cadernos Pagu. Campinas, n.11, pp. 99-105.

DIAS, M. J. S.; SALES, C. M. V. (2018). Contrarreformas em tempos de incertezas: como fica a vida das mulheres?. Revista de Políticas Públicas. São Luís, v. 22, p. 793-814.

FAN, Y. (2015). Household structure and gender differences in travel time: spouse/partner presence, parenthood, and breadwinner status. Transportation, v. 44, n. 2, p. 271-291.

GUIMARÃES, I.B. (1994). As articulações possíveis: família e reprodução em um segmento operário. Revista Brasileira de Estudos de População. Rio de Janeiro, v. 11, n. 2.

GOLDANI, A. M. (2002) Família, gênero e políticas: famílias brasileiras nos anos 90 e seus desafios como fator de proteção. Revista Brasileira de Estudos de População. Rio de Janeiro, v. 9, n. 1.

HANSON, S.; JOHNSTON, I. (1985). Gender differences in work-trip length: explanations and implications. Urban geography, v. 6, n. 3, p. 193-219.

HARAWAY, D. (2004). “Gênero” para um dicionário marxista: a política sexual de uma palavra. Cadernos Pagu. Campinas, n. 22, pp.201-246.

HARKOT, M. K. (2018). A bicicleta e as mulheres: mobilidade ativa, gênero e desigualdades socioterritoriais em São Paulo. Tese de Doutorado. São Paulo, Universidade de São Paulo.

HERA: Health, Empowerment, Rights & Accoutability. (1998). Direitos sexuais e reprodutivos e saúde das mulheres: idéias para ação. IWHC, Nova York.

HU, L. (2020). Gender differences in commuting travel in the US: interactive effects of race/ethnicity and household structure. Transportation, p. 1-21.

HUATO, J.; WOODBURY ZENO, K. (2009). Class, race, and the spousal income gap: The effects of family income, educational attainment, and race-ethnicity on the husband-wife income ratio in the United States, 1980, 1990, 2000. American Behavioral Scientist, v. 53, n. 2, p. 261-275.

JOHNSTON-ANUMONWO, I. (2014). Women’s work trips and multifaceted oppression. In: Diversity, Social Justice and Inclusive Excellence: Transdisciplinary and Global Perspectives. Albany, State University of New York Press.

KAUFMAN, R. L. (2010). Race, gender, and the labor market: Inequalities at work. Boulder, Lynne Rienner Publishers.

KEARL, H.(2014). Unsafe and harassed in public spaces: A national street harassment report. Disponível em: https://www.stopstreetharassment.org/wp-content/uploads/2012/08/2014-National-SSH-Street-Harassment-Report.pdf. Acesso em: 15 ago 2023.

KERGOAT, D.(2000). Division sexuelle du travail et rapports sociaux de sexe. Dictionnaire critique du féminisme. Paris, v. 2, pp. 35-44.

LAW, R. (1999). Beyond ‘women and transport’: towards new geographies of gender and daily mobility. Progress in human geography. London, v. 23, n. 4, pp. 567-588.

LEONE, E. T. (2000). Renda familiar e trabalho da mulher na Região Metropolitana de São Paulo nos anos 80 e 90. In: ROCHA, M. I. B. (Coord.). Trabalho e gênero: mudanças, permanências e desafios. São Paulo, Editora 34.

LEONE, E. T.; MAIA, A. G.; BALTAR, P. E. (2010). Mudanças na composição das famílias e impactos sobre a redução da pobreza no Brasil. Economia e Sociedade. Campinas, v. 19, n. 1, pp. 59-77.

LOUKAITOU-SIDERIS, A. (2010). What is blocking her path? Women, mobility, and security. In: Women’s Issues in Transportation, 4th International Conference, 2010, Washington, DC. Volume 1: Conference Overview and Plenary Papers. Washington, DC, Transportation Research Board Conference Proceedings 46, pp. 103-122.

MACÊDO, B.; PINTO, D. G. L.; SIQUEIRA, M. F.; LOPES, A. S.;LOUREIRO, C.F.G. (2020). Caracterização das diferenças no padrão de mobilidade de mulheres e homens em grandes cidades brasileiras. Transportes. São Paulo, v. 28(4), pp. 89-102.

MACÊDO, B. (2022). Evolução das diferenças nos padrões de mobilidade por gênero em Fortaleza. 101f. Dissertação de Mestrado. Fortaleza, Universidade Federal do Ceará.

MACDONALD, H. I. (1999). Women’s employment and commuting: explaining the links. Journal of Planning Literature, v. 13, n. 3, pp. 267-283.

MATOS, V. C. S. (2009). Um estudo histórico das relações de gênero e classe. Saber Acadêmico. Presidente Prudente, n. 7, pp. 57-73.

MAUCH, M.; TAYLOR, B. D. (1997). Gender, race, and travel behavior: Analysis of household-serving travel and commuting in San Francisco Bay area. Transportation Research Record, v. 1607, n. 1, pp. 147-153.

MCGUCKIN, N.; MURAKAMI, E.(1999). Examining trip-chaining behavior: Comparison of travel by men and women. Transportation Research Record, v. 1693, n. 1, pp. 79-85.

MCLAFFERTY, S. (1997). Gender, race, and the determinants of commuting: New York in 1990. Urban Geography, v. 18, n. 3, pp. 192-212.

MESQUITA, A. A. (2017). Envelhecimento Populacional e Relações de Gênero: Velhos Dilemas e Novos Desafios. In: Seminário Internacional Fazendo Gênero 11 & 13th Women’s Worlds Congress, 2017. Anais Eletrônicos. Florianópolis, 2017.

MONTALI, L.(1991). Família e trabalho na conjuntura recessiva. São Paulo em Perspectiva, São Paulo, Fundação SEADE, n. 5.

MOUTINHO, L. (2014). Diferenças e desigualdades negociadas: raça, sexualidade e gênero em produções acadêmicas recentes. Cadernos Pagu. Campinas, n. 42: pp. 201-248.

NG, W.; ACKER, A.(2018). Understanding urban travel behaviour by gender for efficient and equitable Transport Policies. In: International Transport Forum, 2018. Discussion Paper 2018 – 01. Paris, 2018.

OLIVEIRA, R. T. S. (2010). Estatísticas de Violência Doméstica no Brasil: Possibilidades de Análise. Diásporas, Diversidades, Deslocamentos. Florianópolis, v. 23.

OSTERNE, S.(2008). Violência nas relações de gênero e cidadania feminina. Fortaleza, Ed. Meta.

PETERS, D. (2001) Gender and Transport in Less Developed Countries: A Background Paper in Preparation for CSD-9. London, Paper Commissioned by UNED Forum.

PINHEIRO, L.; FONTOURA N. O.; QUERINO A. C.; BONETTI A.; ROSA W. (2009) Retrato das desigualdades de gênero e raça (3ª ed.). São Paulo, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.

PRESTON, V.; MCLAFFERTY, S. (2016). Revisiting gender, race, and commuting in New York. Annals of the American Association of Geographers. Washigton, DC, v. 106, n. 2, pp. 300-310.

RIBEIRO, M. P.; CURI, R. L. C.; CASSUCE, F. C. C. (2019). Desigualdade e estrutura familiar: uma análise comparativa. RDE-Revista de Desenvolvimento Econômico, v. 1, n. 42, 2019.

ROOT, A.; SCHINTLER, L. (1999). Women, motorization and the environment. Transportation Research Part D: Transport and Environment, v. 4, n. 5, pp. 353-355.

ROSENBLOOM, S. (1978) The Need for Study of Women’s Travel Issues. Transportation, vol. 7, n. 4, pp. 347–350.

ROSENBLOOM, S. (1998). Trends in women's travel patterns. In: Women's Travel Issues Second National Conference, 1998, Baltimore. Illinois, TRB, pp. 2–19.

ROSENBLOOM, S.; BURNS, E. (1994). Why working women drive alone: Implications for travel reduction programs. Transportation Research Record, vol. 1459, pp. 39-45

ROSENBLOOM, S. (2006) Understanding Women’s and Men’s Travel Patterns: The Research Challenge. Women’s Issues in Transportation: Summary of the 1st International Conference, 2006, Illinoi. Illinoi, TRB, v. 1, pp. 7–28.

ROSENBLOOM, S.; PLESSIS-FRAISSARD, M. (2009). Women’s travel in developed and developing countries. Women’s Issues in Transportation, v. 63.

SAFFIOTI, H. (2004). Gênero, patriarcado, violência. São Paulo, Fundação Perseu Abramo.

SAFFIOTI, H. (2016). A Mulher na Sociedade de Classes: Mito e Realidade. São Paulo, Vozes.

SALES, C. M. V.; AZEVEDO, L.A.(2020). A experiência do enfrentamento à violência contra as mulheres em Maracanaú-CE. Revista de Políticas Públicas. São Luís, v. 24, n. 1, pp. 306-327.

SCOTT, J. (1986) Gender: A Useful Category of Historical Analysis. In: The American Historical Review. Oxford, Oxford University Press on behalf of the American Historical Association v. 91, n. 5, pp. 1053-1075.

SERMONS, M. W.; KOPPELMAN, F. S. (2001). Representing the differences between female and male commute behavior in residential location choice models. Journal of transport geography, v. 9, n. 2, p. 101-110.

SILVEIRA NETO, R.; DUARTE, G.; PÁEZ, A. (2015). Gender and commuting time in São Paulo Metropolitan Region. Urban Studies, v. 52, n. 2, p. 298-313.

SIQUEIRA, M. F.; LOUREIRO, C. F. G.; LOPES, A. S. (2022). Diagnóstico das relações causa-efeito na mobilidade por gênero em grandes cidades brasileiras. Transportes, v. 30, n. 1,

SRINIVASAN, S.; ROGERS, P. (2005). Travel behavior of low-income residents: studying two contrasting locations in the city of Chennai, India. Journal of Transport Geography, v. 13, n. 3, pp. 265-274.

SVAB, H. (2016) Evolução dos Padrões de Deslocamento na Região Metropolitana de São Paulo: A necessidade de uma análise de gênero. Dissertação de Mestrado. São Paulo, Universidade de São Paulo.

TELLES, V. S. (1992). Cidadania inexistente: incivilidade e pobreza. Tese de Doutorado. São Paulo, Universidade de São Paulo.

Publicado

2026-09-03

Como Citar

Macêdo, B., Melo, G. N. de O., & Loureiro, C. F. G. (2026). Evolução dos padrões de mobilidade por gênero e suas transversalidades em Fortaleza, Brasil. Cadernos Metrópole, 28(67), e6763252. Recuperado de https://revistas.pucsp.br/index.php/metropole/article/view/63252

Edição

Seção

Artigos Complementares