Milícias e urbanização periférica, uma nova dinâmica de segregação na metrópole carioca
Milicias y Urbanización, una Nueva Lógica de Segregación
Palavras-chave:
Urbanização das periferias, Milícias, Periferias seletivas, Segregação Socioespacial, Rio de JaneiroResumo
Este artigo examina o papel das milícias na transformação socioespacial das periferias do Rio de Janeiro, analisando como esses grupos se consolidaram como agentes de urbanização nas últimas décadas – atuando desde a provisão de infraestrutura até a construção de empreendimentos imobiliários. Baseada em revisão bibliográfica, pesquisa documental e etnográfica, a investigação foca nos empreendimentos residenciais criados ou cooptados pelas milícias e argumenta que seu envolvimento nesse setor institui mecanismos de seletividade arbitrária, que reorganizam o acesso à terra e à moradia e produzem uma nova dinâmica de segregação urbana. Essa seletividade ultrapassa critérios estritamente econômicos, incorporando dimensões políticas, religiosas e comportamentais, redefinindo fronteiras internas das periferias cariocas, moldando perfis desejáveis de moradores e desafiando concepções consolidadas de territórios populares historicamente associados à acessibilidade econômica.
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