Inclusão no ensino superior
desafios e conquistas
DOI:
https://doi.org/10.23925/2175-3520.2025i59p57-70Palavras-chave:
ensino superior, estudante universitário, pessoas com deficiência, processos de ensino e aprendizagem, queixa escolarResumo
Contribuir para a inclusão na Educação é uma das atribuições fundamentais da Psicologia Escolar e Educacional. Este artigo tem por objetivo apresentar ações de um programa de inclusão no ensino superior, tendo como perspectiva teórica a Psicologia Histórico-Cultural. Oferecido pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, por meio da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura, o Programa de Atenção e Orientação aos Discentes (PROATO) foi instaurado oficialmente na universidade em 25 de junho de 2015 e tem se desenvolvido com novas iniciativas nestes 10 anos de existência. Busca oferecer acolhimento e orientação psicopedagógica para estudantes de graduação e pós-graduação com deficiência ou aqueles com dificuldades nos processos de ensino-aprendizagem. Foi implantado com a finalidade de desenvolver intervenções com profissionais de Psicologia, Serviço Social, Educação e Capelania junto à comunidade interna e externa. Os atendimentos são realizados por uma equipe técnica multiprofissional, predominantemente na modalidade presencial, com acompanhamentos individuais, em duplas ou em grupos. São desenvolvidas ações de acolhimento, orientação de estudos e promoção de acessibilidade, visando contribuir com o ingresso, a permanência e o bom aproveitamento acadêmico. O Programa oferece também encontros com docentes e coordenadores, visando à formação destes para a inclusão. Os resultados têm se mostrado promissores e tecnologias assistivas têm sido ampliadas, assim como oportunizadas discussões com grupos de estudantes e docentes. Pouco a pouco tem se verificado maior sensibilização na universidade sobre o tema. Entretanto, alguns desafios ainda se apresentam, tais como o trabalho de conscientização da comunidade acadêmica a respeito da importância da inclusão na universidade e a compreensão sobre a atuação da psicologia escolar, na perspectiva institucional, com base na psicologia histórico-cultural.
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