Dinâmicas de poder e rituais de interação na EDAP de Chiclayo (2017-2022)
DOI:
https://doi.org/10.23925/2177-952X.2026v20i37p76-94Palavras-chave:
Rituais de interação, Poder eclesiástico, Clericalismo, Objetificação, Resistência subalternaResumo
As organizações religiosas operam sob estruturas hierárquicas verticais que limitam a participação equitativa dos leigos, o que gera profundas tensões diante das atuais demandas por corresponsabilidade. Este artigo tem como objetivo determinar de que maneira as dinâmicas microinteracionais e os rituais de interação na Equipe Diocesana de Animação Pastoral (EDAP) transformam ou reproduzem as relações de poder eclesiásticas na Diocese de Chiclayo durante o período de 2017-2022. Mediante um desenho metodológico qualitativo e interativo, triangularam-se dados provenientes de observação participante encoberta, entrevistas em profundidade com oito membros da equipe e análise documental institucional. Os resultados evidenciam que o sistema de status clerical mantém sua hegemonia através de um "monopólio da copresença", empregando táticas de evasão corporal e processos de objetificação logística para subjugar as bases —particularmente as mulheres— e expropriar sua capacidade deliberativa. No entanto, diante desse agudo déficit de reconhecimento, os leigos utilizam a organização da EDAP como um bolsão de resistência afetiva. Ao alterar o foco de atenção do rito e promover interações horizontais, conseguem gerar uma efervescência coletiva igualitária que lhes permite transformar a marginalização em uma genuína agência política subalterna.
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