O cinema como busca espiritual
Martin Scorsese e a religião
DOI:
https://doi.org/10.23925/1677-1222.2025vol25i1a7Palavras-chave:
Religião. Cinema. Busca espiritual. Culpa. RedençãoResumo
Este artigo examina a relação entre religião e cinema, com foco na obra de Martin Scorsese. Partindo das teorias de John Lyden e S. Brent Plate, que equiparam a experiência cinematográfica a mitos e rituais religiosos, investiga-se como Scorsese concebe o cinema como um meio de busca espiritual. Por meio de uma análise de Taxi Driver (1976) e Touro Indomável (1980), exploram-se temas como violência, culpa, redenção e transcendência. O artigo também considera a formação católica ítalo-americana de Scorsese em Little Italy, Nova Iorque, e como essa vivência molda sua visão de mundo e narrativa cinematográfica. Ao tratar o cinema como espaço de experimentação do sagrado, Scorsese constrói uma estética que dialoga com questões existenciais, oferecendo um espaço para reflexão espiritual e moral. O estudo contribui para a compreensão da intersecção entre religião e cinema, demonstrando como o cinema pode expressar a busca por sentido em um mundo marcado pela violência e pelo sofrimento.
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