Bandeiras verdes (1978-1987), Murilo Santos
uma expressão das relações entre ação social católica e cinema no Maranhão
DOI:
https://doi.org/10.23925/1677-1222.2025vol25i1a2Palavras-chave:
Maranhão, Cinema, Igreja Católica, Murilo Santos, Bandeiras verdesResumo
Este artigo investiga as relações entre ação social católica e cinema no Maranhão a partir da trajetória e da obra cinematográfica do realizador maranhense Murilo Santos, tomando-se como objeto de análise Bandeiras verdes (1978-1987), documentário que surgiu da parceria entre Murilo Santos, a Comissão da Pastoral da Terra e o Conselho Indigenista Missionário, vinculados à Igreja Católica. Em sua trajetória como fotógrafo e cineasta, Murilo Santos tornou-se um realizador com raízes ideológicas em comum com setores mais progressistas da Igreja Católica e próximos à Teologia da Libertação, que surgiu após o impacto do Concílio Vaticano II, sobretudo na América Latina, e de clérigos sintonizados com essa linha pastoral. Objetiva-se, com o cotejo da produção de Bandeiras verdes, analisar o filme com ênfase na plenitude do testemunho oral, capturando-se, por meio da análise fílmica, o tensionamento da vida no campo, em cuja poética da oralidade dimensiona-se a perseverança de uma nova marcha rumo ao oeste, historicamente sempre presente no Brasil, e registrada pelo filme com sutilezas nos enquadramentos de câmera, instrumentos reveladores da paisagem amazônica maranhense. Conclui-se que Bandeiras verdes constitui um amálgama que revela um conjunto de circunstâncias culturais, políticas e demográficas do universo rural maranhense, atualizando-se, naquele momento, o olhar acerca das práticas migratórias no Nordeste brasileiro, previstas, entre outros, pelo padre Cícero Romão Batista (1844-1934) ao falar das míticas “bandeiras verdes” que se descortinam a oeste, no caminho para a Amazônia.
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