A religião política contemporânea
psicanálise, Steve Bannon e a economia libidinal da extrema-direita
DOI:
https://doi.org/10.23925/1677-1222.2026vol26i1a13Palavras-chave:
Desamparo, liturgias digitais, extrema-direita, Psicanálise, religiãoResumo
O artigo discute a extrema-direita contemporânea como produtora de uma experiência religiosa desinstitucionalizada, articulada por meio de liturgias digitais que reconfiguram o laço social e o desamparo na era neoliberal. A partir de um ensaio teórico-interpretativo, mobiliza-se o referencial da psicanálise freudo-lacaniana, em diálogo com contribuições de estudos sobre cultos, necropolítica e religião política, para analisar a forma como lideranças de extrema-direita convertem a vulnerabilidade subjetiva em adesão afetiva e engajamento ritual. Nessa chave, a figura do líder deixa de ser apenas um ator político para assumir uma função quase messiânica, organizando a economia libidinal do grupo e autorizando práticas necropolíticas dirigidas a corpos considerados descartáveis. Ao enfatizar a articulação entre desamparo, culto e tecnologia, o artigo sugere que as liturgias digitais da extrema-direita constituem uma forma de experiência religiosa sem templo que intensifica tanto a percepção de ameaça quanto a promessa de proteção, reforçando regimes de violência simbólica e material. Conclui-se indicando limites e implicações dessa leitura para os estudos de religião, mídia e política.
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