Entre o sagrado e o algoritmo
morte, bioética e religião na era da IA generativa
DOI:
https://doi.org/10.23925/1677-1222.2026vol26i1a2Palavras-chave:
Inteligência Artificial, Religião, Luto, Griefbots, BioéticaResumo
O avanço dos Large Language Models (LLMs) possibilitou a emergência dos griefbots, agentes conversacionais que simulam a persona de indivíduos falecidos. Este artigo investiga as implicações bioéticas, psicológicas e religiosas dessa nova tanatotecnologia. Partindo do diagnóstico da "Sociedade Paliativa" de Byung-Chul Han, analisa-se como a recusa contemporânea à dor impulsiona a mercantilização da "imortalidade digital". Sob a ótica da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), argumenta-se que tais simulacros promovem a esquiva experiencial, bloqueando o confronto vital com a finitude e patologizando o luto. No âmbito da Ciência da Religião, o estudo discute como a gestão técnica da imanência digital substitui a esperança escatológica, profanando a função simbólica dos ritos de passagem e da ausência. Conclui-se que a mediação algorítmica da morte demanda uma nova bioética capaz de proteger a dignidade do "cadáver informacional" e preservar a sacralidade dos ritos de despedida.
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