Entre a Fé e o Crime
a pentecostalização do crime organizado no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.23925/1677-1222.2026vol26i2a6Palavras-chave:
Fé evangélica, Pentecostalismo, Crime organizado, Intolerância religiosaResumo
Este artigo analisa a relação entre fé evangélica pentecostal e crime em regiões periféricas, abordando os desafios contemporâneos relacionados à pentecostalização do crime organizado no Brasil. Para tanto, realiza-se uma ampla revisão bibliográfica da literatura especializada, explorando a emergência e as transformações do pentecostalismo na sociedade brasileira, incluindo os processos de rearticulação discursiva e sociomaterial de suas fundações teológicas promovidos pelo neopentecostalismo. O estudo de caso do Complexo de Israel, no Rio de Janeiro, substancia a análise sobre como o crime organizado, por um lado, apropria-se de elementos religiosos neopentecostais para exercer o controle social violento e, por outro lado, impõe a fé como estratégia de ampliação de sua base popular. Paralelamente, lideranças religiosas beneficiam-se dessa relação tanto no que tange ao controle político e social de regiões periféricas quanto ao financiamento proveniente de lucrativas atividades ilegais, como o narcotráfico. Como resultado, para além da violência cotidiana relacionada ao controle territorial, identifica-se o agravamento de desigualdades e inseguranças para grupos sociais e comunidades religiosas consideradas divergentes ou mesmo inimigas – notadamente aquelas associadas às religiões de matriz africana.
Downloads
Métricas
Referências
ALENCAR, Gedeon. Assembleias de Deus: teorização, história e tipologia – 1911-2011. Tese (Doutorado em Ciências da Religião), Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2012.
ALMEIDA, Ronaldo. A universalização do Reino de Deus. Dissertação (Mestrado em Ciências Sociais). Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1996.
ARAÚJO, Arão Inocêncio Alves de. Sob o domínio do presente: a valorização do tempo presente no pentecostalismo assembleiano brasileiro (1950-1990). In: OLIVA, Alfredo dos Santos; BENATTE, Antonio Paulo. 100 anos de pentecostes: capítulos da história do pentecostalismo no Brasil. São Paulo: Fonte Editorial, 2010.
AZEVEDO JÚNIOR, Wilson Correia de. Neopentecostalismo. Projeto (Doutorado em antropologia social). Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1994.
BEATO, Cláudio; ZILLI, Luís Felipe. A estruturação de atividades criminosas: um estudo de caso. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 27, n. 80, p. 71-88, 2012.
BIRMAN, Patrícia; LEITE, Márcia Pereira. O que aconteceu com o antigo maior país católico do mundo? In: BETHELL, Leslie (Org.). Brasil: fardo do passado, promessa do futuro – Dez ensaios sobre política e sociedade brasileira. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.
BITTENCOURT FILHO, José. Alternativa dos desesperados: Como se pode ler o pentecostalismo autônomo. Rio de Janeiro, CEDI, 1991.
CAMPOS, Leonildo Silveira. As origens norte-americanas do pentecostalismo brasileiro: observações sobre uma relação ainda pouco avaliada. Revista USP, São Paulo, n. 67, p. 100-115, 2005.
CAMPOS, Leonildo Silveira. Evangélicos e mídia no Brasil: uma história de acertos e desacertos. Revista de Estudos da Religião, ano 8, p. 1-26, set./2008a.
CAMPOS, Leonildo Silveira. Os Mapas, Atores e Números da Diversidade Religiosa Cristã Brasileira: Católicos e Evangélicos entre 1940 e 2007. Revista de Estudos da Religião, ano 8, p. 9-47, dez./2008b.
DIP, Andrea. Em nome de quem?: a bancada evangélica e seu projeto de poder. 1ª Ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.
FELTRAN, Gabriel. Das Prisões às Periferias: coexistência de regimes normativos na “Era PCC”. Revista Brasileira de Execução Penal, v. 1, n. 2, p. 45-71, 2020.
FERREIRA, Ismael de Vasconcelos. Neopentecostalização do pentecostalismo clássico: mudanças na concepção escatológica das Assembleias de Deus. Tese (Doutorado em Ciência da Religião). Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2014.
FOERSTER, Norbert H. C. Pentecostalismo Brasileiro Clássico e Secularização. Estudos de Religião, v. 21, n. 32, p. 196-214, 2007.
FRANCO, Marielle. UPP – A redução da favela a três letras: uma análise da política de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro. Dissertação (Mestrado em Administração), Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2014.
FRESTON, Paul. Protestantes e política no Brasil: da Constituinte ao impeachment. Tese (Doutorado em Sociologia), Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1993.
FRIGERIO, Alejandro. El futuro de las religiones mágicas en Latinoamérica. Ciencias Sociales y Religión, v. 1, n. 1, p. 51-88, 1999.
IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo Demográfico 2000 - Características gerais da população: resultados da amostra. Rio de Janeiro: IBGE, 2000.
IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo Demográfico 2010 - Características gerais da população, religião e pessoas com deficiência. Rio de Janeiro: IBGE, 2012.
JACOB, Cesar Romero et al. Religião e sociedade em capitais brasileiras. Rio de Janeiro: Ed. PUC-Rio; São Paulo: Loyola; Brasília: CNBB, 2006.
MANSO, Bruno Paes. A fé o fuzil: crime e religião no Brasil do século XXI. São Paulo: Todavia, 2023.
MARIANO, Ricardo. Neopentecostalismo: os pentecostais estão mudando. Dissertação (Mestrado em Sociologia), Universidade de São Paulo, São Paulo, 1995.
MARIANO, Ricardo. Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil. 1ª Ed. São Paulo: Edições Loyola, 1999.
MATOS, Alderi Souza de. Breve história do protestantismo no Brasil. Vox Faifae, v. 3, n. 1, p. 1-26, 2011.
MENDONÇA, Antônio Gouvêa. Introdução ao protestantismo no Brasil. São Paulo: Edições Loyola, 1990.
MONTEIRO, Yara Nogueira. Congregação Cristã no Brasil: da fundação ao centenário – a trajetória de uma Igreja brasileira. Estudos de Religião, v. 24, n. 39, p. 122-163, 2010.
NOBRE, Fábio R. F.; FERREIRA, Daniel N. Atores não estatais violentos e instituições informais no Brasil (2008–2018). Revista Brasileira de Estudos de Defesa, v. 8, n. 2, p. 127-151, 2022.
ORO, Ari Pedro. “Podem passar a sacolinha”: um estudo sobre as representações do dinheiro no neopentecostalismo brasileiro. Cadernos de Antropologia, v. 9, n. 1, p. 7-44, 1992.
PEREIRA, Réia Silvia; MESQUITA, Wania Amélia B. Entre flechas y demonios: pentecostalidad guerrera performativa en un territorio de favelas. Ciencias Sociales y Religión, Campinas, v. 24, n. 00, p. e022013, 2022.
PIMENTA, Marília Carolina B. de S.; SUAREZ, Marcial Alécio. G.; FERREIRA, Marcos Alan. Hybrid governance as a dynamic hub for violent non-state actors: examining the case of Rio de Janeiro. Revista Brasileira de Política Internacional, v. 64, n. 2, p. 1-21, 2021.
PINHEIRO, Amanda. Proibido usar branco. Tab UOL, 30 jan., 2021. Disponível em: https://tab.uol.com.br/edicao/onde-e-proibido-usar-branco/. Acesso em: 10 abr. 2026.
SANTOS, Gabrielle Cosenza dos. Religião em Rede: a transnacionalização da Igreja Universal do Reino de Deus. Dissertação (Mestrado em Relações Internacionais), Pontifícia Universidade Católica do Rio De Janeiro, Rio de Janeiro, 2021.
SEMÁN, Pablo. ¿Quiénes son? ¿Por qué crecen? ¿En qué creen? Pentecostalismo y política en América Latina. Nueva Sociedad, Buenos Aires, n. 280, p. 26-46, 2019.
SIEPIERSKI, Paulo D. Pós-pentecostalismo e política no Brasil. Estudos Teológicos, v. 37, n. 1, p. 47-61, 1997.
VITAL DA CUNHA, Christina. Oração de traficante: uma etnografia. 1ª Ed. Rio de Janeiro: Garamond, 2015.
WILLIAMS, Phil. Violent non-state actors and national and international security. International Relations and Security Network. Zurique: ISN, 2008.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
- Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Attribution-NonCommercial 4.0 International, que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.