IA generativa, decolonialidade e ensino de línguas adicionais
para uma pedagogia crítica
DOI:
https://doi.org/10.23925/1984-3585.2025i32p102-117Palavras-chave:
decolonialidade, inteligência artificial generativa, ensino e aprendizagem, línguas adicionaisResumo
A emergência das inteligências artificiais generativas (IAGen) baseadas em Large Language Models (LLMs), como ChatGPT e Gemini, tem ressignificado o processo de ensino e aprendizagem de línguas adicionais (LA), em especial no contexto da educação básica. Essas tecnologias não apenas automatizam tarefas, mas também produzem textos, diálogos, imagens e áudios, oferecendo personalização e feedback em tempo real. Tal movimento não se restringe ao campo tecnológico: ele transborda para a sala de aula, transformando práticas pedagógicas, reconfigurando as relações entre professores e estudantes e redefinindo expectativas sobre o próprio processo de ensino e aprendizagem. Estudos recentes mostram, entretanto, que sua chegada às escolas ocorreu sem planejamento institucional e sem preparação prévia de políticas educacionais, sendo caracterizada como uma tecnologia de chegada (arrival technology), o que surpreendeu professores e gestores (Smith et al., 2025). Nesse cenário, emergem questões importantes: quais variedades linguísticas são privilegiadas no ensino de LA? Quais culturas permanecem invisibilizadas quando se privilegiam modelos linguísticos dominantes, sobrepondo-se às variedades linguísticas não hegemônicas? Este artigo propõe articular a perspectiva decolonial (Quijano, 2005; Mignolo, 2007; Walsh, 2007, 2009) às contribuições de Vygotsky (1934/2001), no conceito de mediação, e de Ausubel (1968; 2003), em sua teoria da aprendizagem significativa, em diálogo com os marcos de competências em IA para estudantes e professores da UNESCO (2025), que estabelecem dimensões éticas, críticas e de cocriação para o uso da IAGen na educação. Argumenta-se que os LLMs carregam vieses culturais e linguísticos, mas, quando integrados a práticas de literacidade crítica (Freire, 1970; Lessa; Liberali, 2012), podem favorecer tanto a resistência a padrões hegemônicos quanto a criação de novas narrativas e sentidos no ensino de línguas adicionais. Conclui-se que os novos tutores escolares – combinando assistentes digitais adaptativos e professores como mediadores críticos e culturais – configuram um ecossistema híbrido que deve ser acompanhado de políticas institucionais, formação docente e reflexão ética. Nesse contexto, a emergência das IAs generativas não se configura como tendência passageira, mas como campo fértil para reinventar o ensino de LA de forma crítica, significativa e decolonial.
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Referências
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