Redes digitais, interações e colaboração

entre a técnica e o laço social

Autores

DOI:

https://doi.org/10.23925/1984-3585.2026i33p73-85

Palavras-chave:

inteligência artificial generativa, redes digitais, intencionalidade colaborativa, inteligência coletiva, alteridade, complexidade

Resumo

As redes digitais reformularam profundamente a circulação de saberes, a mediação das interações e os modos de produzir conhecimento. Embora concebida como infraestrutura descentralizada e colaborativa, a internet tornou-se um ecossistema atravessado pela convivência tensa entre uma arquitetura distribuída e a hipercentralização das plataformas, cujas lógicas algorítmicas capturam atenção, filtram acordos relacionais e reduzem a pluralidade informacional. Nesse ambiente, mecanismos de personalização, rastreamento e viralização frequentemente confundem engajamento com colaboração, conexão com vínculo, esvaziando a potência simbólica da informação e fragilizando a experiência do comum. A cultura digital contemporânea é igualmente marcada pelo esgotamento da alteridade: a hipercomunicação e a saturação informacional comprimem o silêncio, a presença e a abertura ao outro, elementos indispensáveis à construção coletiva de sentido. A emergência da inteligência artificial generativa (IAGen) aprofunda essas tensões: de um lado, reforça padrões estatísticos e dinâmicas de homogeneização; de outro, amplia possibilidades de coautoria, pensamento relacional e novas ecologias cognitivas. Este artigo investiga como redes digitais e IAGen moldam – e limitam – as condições contemporâneas de colaboração e construção do conhecimento, propondo o conceito de intencionalidade colaborativa como eixo epistemológico, ético e sociotécnico para reimaginar o laço social na era algorítmica. Metodologicamente, trata-se de uma investigação teórico-conceitual, de caráter ensaístico e transdisciplinar, que articula contribuições da filosofia da tecnologia, da epistemologia da complexidade, dos estudos de mídia, da governança da internet e das pesquisas sobre IA generativa. Em vez de recorrer a dados quantitativos, mobilizam-se tensões estruturais, casos paradigmáticos e interpretações fundamentadas para iluminar como redes, algoritmos e sujeitos constroem conhecimento em ecologias digitais contemporâneas. Ao dialogar com Pierre Lévy, Edgar Morin, Byung-Chul Han, Fritjof Capra, Humberto Mariotti e pesquisadores da infraestrutura da internet, argumenta-se que colaboração genuína não é efeito automático da conectividade, mas prática relacional que exige coautoria, escuta, pluralidade e pensamento complexo. A intencionalidade colaborativa é proposta, assim, como horizonte para orientar práticas tecnológicas capazes de sustentar uma inteligência coletiva verdadeiramente plural.

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Biografia do Autor

Caren Sapienza, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Caren Sapienza. Doutoranda e Mestra no Programa de Tecnologias da Inteligência e Design Digital da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, com apoio da CAPES, especialista em Gestão Estratégica em Comunicação Organizacional e Relações Públicas pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo e em Tecnologias na Aprendizagem pelo SENAC, graduada em Letras, Tradutor e Intérprete pelo Centro Universitário Ibero-Americano. É consultora, facilitadora, mentora e pesquisadora das convergências entre os processos de aprendizagem, tecnologias e colaboração à luz da complexidade. E-mail: caren.sapienza@gmail.com. Orcid: https://orcid.org/0009-0005-9392-2163.

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Publicado

2026-11-03

Como Citar

Sapienza, C. (2026). Redes digitais, interações e colaboração: entre a técnica e o laço social. TECCOGS: Revista Digital De Tecnologias Cognitivas, (33), 73–85. https://doi.org/10.23925/1984-3585.2026i33p73-85