A inevitável interdependência entre inteligência artificial e seres humanos
DOI:
https://doi.org/10.23925/1984-3585.2026i33p102-122Palavras-chave:
educação, autopoiese, afetividade, inteligência artificialResumo
A integração da inteligência artificial (IA) à educação configura-se como um processo inevitável, cujas implicações transcendem os aspectos técnicos e pedagógicos, alcançando dimensões cognitivas, afetivas e sociais. Este artigo discute de que maneira a IA impacta o desenvolvimento integral dos estudantes, analisando seus efeitos sobre funções como memória e atenção, bem como as relações de afetividade que se estabelecem nesse processo. Além disso, busca-se compreender como documentos orientadores acerca das competências digitais podem subsidiar práticas pedagógicas críticas e inovadoras diante desse cenário em transformação. A reflexão é ampliada ao considerar a relação circular entre desenvolvimento humano e tecnologias, marcada por um processo de coevolução no qual funções cognitivas, motoras e anatômicas se modificam em resposta ao uso de ferramentas e dispositivos. Esse percurso histórico evidencia o paradoxo da autonomia e da dependência entre seres humanos, ecologia e máquinas, colocando em debate questões como a hibridização do sujeito, a emergência de cidades físicas e virtuais interconectadas e a possibilidade de que as máquinas assumam papéis autopoiéticos. Perguntas fundamentais orientam a análise: seriam as tecnologias meras extensões do corpo humano ou sistemas capazes de se auto-organizar? As máquinas podem ser consideradas apenas próteses cognitivas? A discussão é sustentada a partir das contribuições teóricas de autores como Andy Clark, Dora Kaufman, Edgar Morin, Henri Wallon, Lucia Santaella, Humberto Maturana e Francisco Varela, cujas abordagens permitem explorar as interfaces entre inteligência artificial, cognição, afeto, raciocínio, interpretação e autopoiese.
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