A (re)produção de violência simbólica pela inteligência artificial generativa em conflitos armados

Autores

DOI:

https://doi.org/10.23925/1984-3585.2026i33p140-160

Palavras-chave:

inteligência artificial, riscos, literacia, desinformação, agentes inteligentes, violência simbólica

Resumo

A inteligência artificial generativa (IAGen) tem se consolidado como ferramenta estratégica na circulação de desinformação, especialmente em contextos de guerra. Recursos como geração automática de texto, deepfakes e imagens sintéticas são utilizados para produzir conteúdos que distorcem acontecimentos, moldam percepções, criam bolhas (des)informacionais e influenciam opiniões públicas sobre atores armados, vítimas civis e responsabilidades em conflitos. Este artigo analisa tais processos a partir da noção de violência simbólica (Bourdieu, 1989), entendida como a naturalização de hierarquias e o silenciamento de sofrimentos por meio da linguagem e das representações. O conceito é articulado às categorias de violência direta, estrutural e cultural de Galtung (2004, 2018), o que permite compreender como a IA generativa participa da reprodução de lógicas de dominação em escala global. O debate também mobiliza as contribuições de Serrano (2010), que denuncia o papel dos meios de comunicação na difusão de mensagens de ódio e na legitimação da guerra. Essas perspectivas reforçam a ideia de que a tecnologia não é neutra, mas integrada a estruturas sociais, políticas e de interesses corporativos que moldam sua apropriação. Para isso, a metodologia combina revisão bibliográfica e análise crítica de casos recentes envolvendo Ucrânia e Gaza. Ao final, busca-se contribuir para o campo da comunicação, da paz, do combate à desinformação e por uma tecnologia menos colonialista. Refletimos também sobre os limites entre revelação e opacidade na mediação das violências contemporâneas.

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Biografia do Autor

Ricardo Dias de Oliveira Filho, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Ricardo Dias Filho é jornalista formado pela PUC-SP e mestrando no programa de Tecnologias da Inteligência e Design Digital da PUC-SP. Pesquisa as narrativas digitais que promovem a paz e o cuidado com o ser humano. E-mail: ricardofilhojornalista@gmail.com. ORCID: http://orcid.org/0009-0006-6974-9986.

Pollyana Ferrari, Universidade Federal de São Paulo

Pollyana Ferrari é Livre Docente em Comunicação e Educação pela PUC-SP, doutora e mestre em Comunicação pela ECA/USP; líder do grupo de Pesquisa Comunidata/CNPq; professora do programa de pós-graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital (TIDD) e do Departamento de Comunicação, ambos da PUC-SP. Autora de 12 livros sobre comunicação digital, desinformação e narrativas complexas. E-mail: pollyana@pucsp.br. ORCID: http://orcid.org/0000-0001-6090-1626.

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Publicado

2026-10-29

Como Citar

Oliveira Filho, R. D. de, & Ferrari, P. (2026). A (re)produção de violência simbólica pela inteligência artificial generativa em conflitos armados. TECCOGS: Revista Digital De Tecnologias Cognitivas, (33), 140–160. https://doi.org/10.23925/1984-3585.2026i33p140-160