A inteligência artificial e a lacuna na literacia digital no contexto brasileiro

Autores

DOI:

https://doi.org/10.23925/1984-3585.2026i33p225-246

Palavras-chave:

inteligência artificial, literacia midiática, letramento digital, contexto brasileiro

Resumo

A proposta do artigo é analisar as dimensões tecnológicas, ontológicas e epistemológicas da inteligência artificial, e como seu advento acentua a lacuna educacional em termos de literacia digital no contexto brasileiro. O letramento digital consiste na capacidade de compreender, utilizar e avaliar as tecnologias digitais, tanto no contexto laboral quanto pessoal (Brugnera; Barbosa, 2025), e inclui a habilidade de encontrar, criar e compartilhar informações. Os indicadores desse letramento estão ligados aos índices de analfabetismo, pois, conforme a pesquisa realizada pela ANATEL, “Boletim de diagnóstico: habilidades digitais no brasil e no mundo” (2024), apenas 30% dos brasileiros são capazes de realizar atividades digitais consideradas simples, como manipular arquivos. O estudo diagnosticou os indicadores de habilidades digitais e a capacidade dos indivíduos de utilizarem os recursos digitais. Portanto, temos como percurso metodológico apresentar as dimensões citadas entremeadas a uma reflexão sobre literacia digital e marcos legais da IA no cenário brasileiro, tendo em vista que, ao mesmo tempo em que a IA pode promover a inclusão digital, ela também pode acarretar novas formas de exclusão.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Mariana Marques de Lima, Universidade de São Paulo

Doutora em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Pós-doutoranda pelo TIDD (PUC-SP) e pesquisadora do Comunidata (CNPq). Professora de Jornalismo na Fiam/Faam. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-4010-9225. E-mail: marit.mlima@gmail.com.

Referências

ANATEL. Boletim de diagnóstico: habilidades digitais no Brasil e no mundo. Superintendência de Relações com Consumidores (SRC). Gerência de Interações Institucionais, Satisfação e Educação para o Consumo (RCIC). Elaboração: Alexandre Magnus Queiroz Gameiro; Debora Luzia Penha; Rodrigo Otavio Ribeiro Hagstrom. Brasília, DF: ANATEL, jun. 2024. Disponível em: https://sei.anatel.gov.br/sei/modulos/pesquisa/md_pesq_documento_consulta_externa.php?8-74Kn1tDR89f1Q7RjX8EYU46IzCFD26Q9Xx5QNDbqbIGuBQvTrV78dFpuB7IKQqoNrnZCOZ3jtE5kL3VAa5556cOPI5SUdQPc8loctKVzQanQNRvcIh1XFEKYys8Yfr. Acesso em: 25 maio 2026.

BAIO, César. Os algoritmos & as formas de ver/sentir: rastros de prática artística desviante. In: SANTAELLA, Lucia (org.). Simbioses do humano & tecnologia: impasses, dilemas, desafios. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2022. p. 103-134.

BIRHANE, Abeba. Algorithmic injustice: a relational ethics approach. Patterns, New York, NY, v. 2, n. 2, p. 100205, fev. 2021. DOI: https://doi.org/10.1016/j.patter.2021.100205.

BOÉTIE, Étienne de La. Discurso da servidão voluntária. Tradução: Laymert Garcia dos Santos. 3. ed. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2014.

BOURDIEU, Pierre. Microcosmos: teoria dos campos. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2025.

BRASIL. Lei no 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 152, n. 158, p. 1-9, 15 ago. 2018. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/l13709.htm. Acesso em: 19 jun. 2026.

BRASIL. Lei no 12.965, de 23 de abril de 2014. Estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da Internet no Brasil (Marco Civil da Internet). Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 148, n. 74, p. 1-3, 24 abr. 2014. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l12965.htm. Acesso em: 19 jun. 2026.

BRASIL. Projeto de Lei no 2.338, de 10 de outubro de 2023. Dispõe sobre o uso da Inteligência Artificial no Brasil e cria o Marco Regulatório da IA. Brasília, DF: Senado Federal, 2023. Disponível em: https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2487262. Acesso em: 19 jun. 2026.

BRUGNERA, Elisângela; BARBOSA, Debora. Inteligência artificial e literacia digital: percepções de egressos do PROFEI/UNEMAT/Sinop e do PPGDiver/FEEVALE/RS sobre práticas pedagógicas inclusivas no contexto educativo contemporâneo. Caderno Pedagógico, v. 22, n. 4, p. e14449, 2025. DOI: https://doi.org/10.54033/cadpedv22n4-262. Disponível em: https://ojs.studiespublicacoes.com.br/ojs/index.php/cadped/article/view/14449. Acesso em: 25 maio 2026.

BRUNO, Fernanda. Racionalidade algorítmica & subjetividade maquínica. In: SANTAELLA, Lucia (org.). Simbioses do humano & tecnologia: impasses, dilemas, desafios. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2022. p. 51-62.

BUCCI, Eugênio. Incerteza, um ensaio: como pensamos a ideia que nos desorienta. Belo Horizonte: Autêntica, 2023.

BUCKINGHAM, David. Manifesto pela educação midiática. São Paulo: Edições Sesc, 2022.

CANAVILHAS, João; BIOLCHI, Bárbara. Inteligência artificial e transparência no jornalismo. Revista Mídia e Cotidiano, v. 18, n. 2, p. 43-64, 2024. DOI: 10.22409/rmc.v18i2.62654. Disponível em: https://periodicos.uff.br/midiaecotidiano/article/view/62654. Acesso em: 25 maio 2026.

CARDENUTO, J. P. et al. The age of synthetic realities: Challenges and opportunities. APSIPA Transactions on Signal and Information Processing, v. 12, n. 1, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1561/116.00000138. Acesso em: 19 jun. 2026.

CARVALHO JÚNIOR, Orlando Lyra; CARVALHO, Stela Silva; SOUSA, Bárbara Andrade de. Desinformação e literacia midiática. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 10, n. 11, p. 488-504, 2024. DOI: 10.51891/rease.v10i11.16410. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/16410. Acesso em: 25 maio 2026.

CHAI, Cassius Guimarães; CARNEIRO, Mônica Fontenelle. Geopolítica, direitos humanos e inteligência artificial: interseccionalidade e observações críticas. Revista de Direitos e Garantias Fundamentais, v. 24, n. 3, p. 7-28, 2023. DOI: 10.18759/rdgf.v24i3.2392. Disponível em: https://sisbib.emnuvens.com.br/direitosegarantias/article/view/2392. Acesso em: 25 maio 2026.

CHINA to implement new regulation on algorithm recommendation services. Xinhua, Beijing, 4 jan. 2022. Disponível em: https://english.www.gov.cn/news/topnews/202201/04/content_WS61d3f8fbc6d09c94e48a31d1.html. Acesso em: 19 jun. 2026.

CHRISTOFOLETTI, Rogério. Alfabetização midiática baseada em crítica de mídia e ética jornalística. Revista Eco-Pós, v. 28, n. 1, p. 253-281, 2025. DOI: 10.29146/eco-ps.v28i1.28436. Disponível em: https://revistaecopos.eco.ufrj.br/eco_pos/article/view/28436. Acesso em: 25 maio 2026.

COECKELBERGH, Mark. Ética na inteligência artificial. São Paulo: Ubu Editora; Rio de Janeiro: Editora PUC-Rio, 2023.

DI FELICI, Massimo. O protagonista datificado dos não humanos & a cidadania digital. In: SANTAELLA, Lucia (org.). Simbioses do humano & tecnologia: impasses, dilemas, desafios. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2022. p. 77-88.

FAUSTINO, Deivison; LIPPOLD, Walter. Colonialismo digital: por uma crítica hacker-fanoniana. São Paulo: Boitempo, 2023.

FERRARI, Pollyana. Como sair das bolhas. São Paulo: EDUC–Editora da PUC-SP, 2021.

FERRARI, Pollyana. A era do prompt: inteligência artificial, colonialismo, devires e desinformação. Cachoeirinha: Fi, 2024.

GOIÁS (Estado). Lei complementar no 205, de 19 de maio de 2025. Institui a política estadual de fomento à inovação em inteligência artificial no estado de Goiás. Goiânia: Governo de Goiás, 2025. Disponível em: https://goias.gov.br/governo/go-ia/politica-estadual-de-fomento-a-inovacao-em-inteligencia-artificial/. Acesso em: 25 maio 2026.

HAN, Byung-Chul. Infocracia: a digitalização e a crise da democracia. Petrópolis: Vozes, 2023.

HUPFFER, Haide Maria; SANTANNA, Gustavo da Silva. Inteligência artificial e discriminação algorítmica: marcos regulatórios e parâmetros éticos. In: HUPFFER, Haide Maria; ENGELMANN, Wilson; BLAUTH, Taís Fernanda (org.). Inteligência artificial no sul global: regulação, riscos discriminatórios, governança e responsabilidades. São Leopoldo, RS: Casa Leiria, 2023. p. 75–110. DOI: https://doi.org/10.29327/5312711.1-3. Disponível em: https://www.guaritadigital.com.br/casaleirialivros/iasg/iasg.4.pdf. Acesso em: 25 maio 2026.

IBGE. Censo 2022: pela primeira vez, desde 1991, a maior parte da população do Brasil se declara parda. Agência de Notícias do IBGE, 22 dez. 2023. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/38719-censo-2022-pela-primeira-vez-desde-1991-a-maior-parte-da-populacao-do-brasil-se-declara-parda. Acesso em: 19 jun. 2026.

INAF – Indicador de Alfabetismo Funcional. Alfabetismo no Brasil. Instituto Paulo Montenegro; Ação Educativa, [s.d.]. Disponível em: https://alfabetismofuncional.org.br/. Acesso em: 25 maio 2026.

ISHIGURO, Kazuo. Klara e o Sol. Tradução de Beth Vieira. São Paulo: Companhia das Letras, 2021.

KIM, Byeong-Je et al. AI governance in the context of the EU AI Act. IEEE Access, Piscataway, NJ, v. 13, p. 144126–144142, 2025. DOI: https://doi.org/10.1109/ACCESS.2025.3598023. Disponível em: https://ieeexplore.ieee.org/stamp/stamp.jsp?arnumber=11123168. Acesso em: 25 maio 2026.

KUHN, Thomas S. A estrutura das revoluções científicas. 10. ed. São Paulo: Perspectiva, 2011.

LEMOS, André. Privacidade & Infopoder. In: SANTAELLA, Lucia (org.). Simbioses do humano & tecnologia: impasses, dilemas, desafios. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2022. p. 33-50.

LIVINGSTONE, Sonia; VAN COUVERING, Elizabeth; THUMIM, Nancy. Adult media literacy: a review of the research literature. London: Department of Media and Communications, London School of Economics and Political Science, 2005. Disponível em: https://researchonline.lse.ac.uk/id/eprint/13912/. Acesso em: 25 maio 2026.

MARTÍN–BARBERO, Jesús. Dos meios às mediações: 3 introduções 1. MATRIZes, v. 12, n. 1, p. 9-31, 2018. DOI: 10.11606/issn.1982-8160.v12i1p9-31. Disponível em: https://revistas.usp.br/matrizes/article/view/145681. Acesso em: 25 maio 2026.

MARQUES, Juliana Ferreira; ALVES, Edvaldo Carvalho. Entre regimes de informação e desinformação: modos de produção informacional na contemporaneidade. Perspectivas em Ciência da Informação, v. 29, p. e–51478, 2024. Disponível em: https://periodicos.ufmg.br/index.php/pci/article/view/51478. Acesso em: 25 maio 2026.

MORAIS, Edison Andrade Martins; AMBRÓSIO, Ana Paula L. Ontologias: conceitos, usos, tipos, metodologias, ferramentas e linguagens. Goiânia: Instituto de Informática, Universidade Federal de Goiás, 2007. (Relatório Técnico RT-INF_001-07). Disponível em: https://ww2.inf.ufg.br/sites/default/files/uploads/relatorios-tecnicos/RT-INF_001-07.pdf. Acesso em: 25 maio 2026.

PARISER, Eli. O filtro invisível: o que a internet está escondendo de você. Rio de Janeiro: Zahar, 2012.

SANTAELLA, Lucia. Neo-humano: a sétima revolução cognitiva do Sapiens. São Paulo: Paulus, 2022.

SANTAELLA, Lucia; KAUFMAN, Dora. A inteligência artificial generativa como quarta ferida narcísica do humano. MATRIZes, São Paulo, Brasil, v. 18, n. 1, p. 37–53, 2024. DOI: 10.11606/issn.1982-8160.v18i1p37-53. Disponível em: https://revistas.usp.br/matrizes/article/view/210834. Acesso em: 14 set. 2025.

SILVA, Tarcízio. Racismo algorítmico: inteligência artificial e discriminação nas redes digitais. São Paulo: Edições Sesc, 2022.

SPINELLI, Egle Müller et al. Literacia midiática: desafios para uma cidadania digital inclusiva no contexto da educação básica brasileira. Revista Comunicação Midiática, Bauru, São Paulo, v. 18, n. 1, p. 76-97, 2024. DOI: 10.5016/cm.v18i1.572. Disponível em: https://comunicacaomidiatica.faac.unesp.br/index.php/CM/article/view/572. Acesso em: 25 maio 2026.

TALK INC. IA na vida real – TALK Report 25. [S.l.]: Talk Inc., 2025. Disponível em: https://www.talkdigital.co/assets/pesquisas/IA-na-Vida-Real-TALK-Report-25.pdf. Acesso em: 25 maio 2026.

THEODORO, Mário. A sociedade desigual: Racismo e branquitude na formação do Brasil. Rio de Janeiro: Zahar, 2022.

UNESCO. Global media and information literacy assessment framework: country readiness and competencies. Paris: UNESCO, 2013. ISBN 978-92-3-001221-2. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000224655. Acesso em: 25 maio 2026.

VAN DIJCK, José. Confiamos nos dados? As implicações da datificação para o monitoramento social. MATRIZes, São Paulo, Brasil, v. 11, n. 1, p. 39–59, 2017. DOI: 10.11606/issn.1982-8160.v11i1p39-59. Disponível em: https://revistas.usp.br/matrizes/article/view/131620. Acesso em: 25 maio 2026.

ZUBOFF, Shoshana. A era do capitalismo de vigilância. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2021.

Downloads

Publicado

2026-10-29

Como Citar

Lima, M. M. de. (2026). A inteligência artificial e a lacuna na literacia digital no contexto brasileiro . TECCOGS: Revista Digital De Tecnologias Cognitivas, (33), 225–246. https://doi.org/10.23925/1984-3585.2026i33p225-246