O Encontro nos Grupos: efeitos de um conceito-ferramenta para o dispositivo grupal

Maria Luiza Carrilho Sardenberg

Resumo


Partindo da iniciativa de tornar disponíveis narrativas de experiências grupais de alguns equipamentos de saúde da cidade de São Paulo, relatamos uma pequena parte do percurso de um grupo terapêutico de adolescentes (período compreendido entre março e abril de 2005) na Clínica de Psiquiatria e Psicologia da Infância e Adolescência do Hospital do Servidor Público Municipal. O uso do dispositivo grupal pode ser considerado como uma ferramenta estratégica de trabalho para pensarmos a construção das subjetividades em tempos de vivências de um sentimento de exílio interior. Apostamos na possibilidade de promover relações que se dão no lugar privilegiado do encontro com os outros, buscando um projeto terapêutico pautado pelo aumento da potência de afetar e ser afetado por outrem. Isso se passa não apenas na esfera verbal, mas também na dimensão dos corpos, em seu contato afetivo, como nos ensinou o filósofo Baruch Espinosa, ao criar o conceito de Afecção. Por afeto, compreendo as afecções do corpo, pelas quais sua potência de agir é aumentada ou diminuída, estimulada ou refreada, e, ao mesmo tempo, as idéias destas afecções (Espinosa, 2007, p. 163 ). Assim, nos encontros algo se produz nos sujeitos, algo da ordem de um devir, segundo a formulação de Gilles Deleuze, ou abre-se o coeficiente de transversalização, nas palavras de Felix Guattari (1976). A grupalização é levada a cabo tanto no âmbito do acolhimento dos pacientes, como também, nas psicoterapias. A despeito dessa questão, buscamos arduamente manter um processo de trabalho coletivo e auto-gestivo – com autonomia do ponto de vista técnico e relativa autonomia administrativa - dentro de uma instituição devastada pelas mais diversas formas de desmonte dos projetos de uma saúde pública. Acreditamos que a ação de dar visibilidade aos trabalhos grupais apresentados seja de grande importância nesta empreitada.


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