As primeiras respostas à epidemia de aids no Brasil: influências dos conceitos de gênero, masculinidade e dos movimentos sociais

Renato Caio Silva Santos, Néia Schor

Resumo


Este ensaio caracteriza-se por ser uma reflexão teórica sobre as concepções de gênero e masculinidade e, como estas influenciaram a formulação de uma identidade de grupo e de movimentos que marcaram as primeiras respostas do Estado brasileiro à epidemia de aids. Sendo assim, o artigo apresenta, além das teorias de gênero e masculinidade, um panorama sobre a formulação das ‘redes de solidariedade’ e de grupos e organizações não governamentais, focados na luta pelos direitos das pessoas vivendo com HIV/aids e no apoio à aqueles que viviam com a doença, a expansão da homofobia, por parte daqueles que utilizaram o HIV como bode expiatório de fobias e preconceitos e, a formulação de Políticas Públicas em reação às inquietações de representantes da comunidade homossexual. Conclui-se que o fato de as primeiras pessoas identificadas como portadoras do HIV serem homens gays marcou profundamente as respostas dadas à epidemia, os rumos do movimento LGBT e levou a uma inegável estigmatização das pessoas com a síndrome. Por outro lado, a aids foi responsável por trazer os ‘desvios sexuais’ à tona e fez a homossexualidade, assim como outras formas dissidentes da heterossexualidade e da masculinidade hegemônica tornarem-se realidades cotidianas. Considera-se que a sociedade civil representou um importante e decisivo elemento no enfrentamento da epidemia e uma nova forma de pensar e de construir políticas públicas, devido ao resultado de esforços de grupos e movimentos sociais.

Palavras-chave


HIV/aids; homossexualidade; masculinidade(s); gênero; políticas públicas

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