NO ORDINÁRIO DA VIDA, UM ENCONTRO COM DEUS – UMA LEITURA DA REVELAÇÃO A PARTIR DA OBRA CRIME E CASTIGO, DE FIODOR DOSTOIEVSKI

James Wilson Januário de Oliveira, Wesclei Ribeiro da Cunha

Resumo


O presente texto pretende desenvolver uma reflexão acerca da valorização da vida humana, na sociedade hodierna, estabelecendo como foco as contrastantes perspectivas do ordinário e do extraordinário da vida. Para tanto, enfatizaremos a concepção da Igreja Católica a partir do Concílio Vaticano II, o qual propõe uma postura de uma Igreja peregrina, que almeja dialogar com os homens em suas vidas ordinárias (pretendemos resgatar o sentido positivo do termo "ordinário"), em detrimento de uma visão triunfalista, que prioriza os grandes feitos da história. Nesse sentido, estabelecemos um diálogo com a obra literária Crime e Castigo (1866), de Fiodor Dostoievski, cujo protagonista, Raskolnikov, desvela-se a partir do dilema contemporâneo entre ser ou não ser um extraordinário perante a sociedade, sua consciência moral é posta à prova após um crime cometido. O ápice desse desvelamento se verifica após a leitura do Evangelho referente à ressurreição de Lázaro, partilhada com Sonia, flagrante pecadora, uma "ordinária" aos olhares da sociedade, representada na obra. Com efeito, como se verifica na penosa travessia de Raskolnikov, Deus se dá a conhecer, por meio do outro, no ordinário da vida, em condições-limite, e nós damos conta Dele, por meio da experiência que o homem de fé realiza ao descobri-Lo presente. A presença de Deus no mundo não é, pois, entendida na esfera do extraordinário, o que importa é a experiência da acolhida ao nos tornarmos seduzidos pela fé.

Palavras-chave


Revelação; Ordinário-Extraordinário; Teologia e Literatura

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