Da Compatibilidade Entre Escolas de Pensamento Heterodoxas: Economia Pós-Keynesiana e Velha Economia Institucional

Carolina Miranda Cavalcante

Resumo


O objetivo desse trabalho é a apresentação de possíveis pontos em comum entre keynesianos e institucionalistas. Desde a década de 1970 a heterodoxia tem contribuído criticamente para o debate em Economia com pelo menos cinco escolas de pensamento: economia pós-keynesiana, economia institucional, economia austríaca, escola da regulação e abordagens marxistas. Utilizo o conceito de programa de pesquisa científico (PPC) lakatosiano, com algumas modificações, bem como a ideia kuhniana de paradigma como forma de distinguir as diversas vertentes teóricas existentes tanto no âmbito do institucionalismo quanto no campo do keynesianismo. Esse debate metodológico será importante para a caracterização das escolas de pensamento que constituem o objeto desse trabalho – a escola keynesiana e a institucionalista. Tais escolas de pensamento não são homogêneas, e apesar de compartilharem temáticas comuns no âmbito da Macroeconomia e do Institucionalismo, pós-keynesianos e novos-keynesianos/ novo-clássicos, e velhos institucionalistas e novos institucionalistas, respectivamente, possuem visões de mundo diferentes, compartilhando programas de pesquisa distintos. Pós-keynesianos e velhos institucionalistas partilham um PPC heterodoxo, enquanto novos-keynesianos, novo-clássicos e novos institucionalistas fazem parte do PPC neoclássico. Nesse sentido, seria incomum unir novo-clássicos e velhos institucionalistas. A compatibilização que se busca aqui é, portanto, entre pós-keynesianos e velhos institucionalistas.

Palavras-chave


Filosofia da Ciência; Economia Institucional; Economia Pós-Keynesiana

Texto completo:

PDF

Referências


AUGUSTO, André Guimarães. Regulation School and the Contemporary Heterodoxies. In: INTERNATIONAL WORKSHOP UFF-UNISI, 2., 1-2 jun., Niterói, 2006.

BACKHOUSE, Roger. A History of Modern Economic Analysis. Oxford: Blackwell, 1985.

BHASKAR, Roy. A Realist Theory of Science. London: Verso, 1997.

__________. Societies. In: ARCHER, Margaret; BHASKAR, Roy; COLLIER, Andrew; LAWSON, Tony; NORRIE, Alan. (Ed.) Critical Realism: essential readings. Londres: Routlegde, 1998.

BLAUG, Mark. Ugly currents in modern economics. In: MÄKI, Uskali. (ed.) Fact and Fiction in Economics: Models, Realism and Social Construction. Cambridge: Cambridge University Press, 2002.

CALDWELL, Bruce. Beyond positivism: economic methodology in the twentieth century. Londres: George Allen & Unwin, 1982.

CARVALHO, Fernando J. Cardin. Fundamentos da Escola Pós-Keynesiana: a Teoria de uma Economia Monetária. In: AMADEO, Edward et al. (org.). Ensaios sobre Economia Política Moderna: Teoria e História do Pensamento Econômico. São Paulo: Marco Zero, 1989.

__________. Sobre ordem, incerteza e caos em economia. Revista Brasileira de Economia, vol.48, n.2, p.179-188, 1994.

__________. Mr Keynes and the Post Keynesians: principles of macroeconomics for a monetary production economy. Cheltenham: Edward Elgar, 1992.

CAVALCANTE, Carolina Miranda. Ciência e Filosofia: uma discussão acerca da possibilidade do conhecimento objetivo. Niterói: [s.n.], 2005.

CHANG, Ha-Joon. Breaking the mould: an institutionalist political economy alternative to the neo-liberal theory of the market and the state. Cambridge Journal of Economics, vol.26, n.5, set., p.539-559, 2002.

__________. Chutando a escada: a estratégia do desenvolvimento em perspectiva histórica. São Paulo: UNESP, 2004.

CHICK, Victoria. Theory, method and mode of thought in Keynes’s General Theory. In: Conference of the International Network for Economic Methodology, Stirling, 2002.

COASE, Ronald. The Nature of The Firm. Economica, November 1937, pp. 386-495. Disponível em: http://people.bu.edu/vaguirre/courses/bu332/nature_firm.pdf (acesso em: 01.08.2005).

__________. The Problem of Social Cost. Journal of Law and Economics, 3(1), p.l-44, 1960. Disponível em: http://www.sfu.ca/~allen/CoaseJLE1960.pdf (acesso em: 01.08.2005).

__________. The institutional structure of production. Nobel Lecture, 1991. Disponível em: http://nobelprize.org/economics/laureates/1991/coase-lecture.html (acesso em: 01.08.2005).

__________. The New Institutional Economics. The American Economic Review, vol.88, n.2, mai., p.72-74, 1998.

CONCEIÇÃO, Otavio Augusto Camargo. Os antigos, os novos e os neo-institucionalistas: há convergência teórica no pensamento institucionalista? Revista de Análise Econômica, ano 19, n.36, 2001.

__________. Além da transação: uma comparação do pensamento dos institucionalistas com os evolucionários e pós-keynesianos. In: ECONTRO NACIONAL DE ECONOMIA da Anpec, 32., João Pessoa, 2004.

DAVIDSON, Paul. Money and the real world. Hampshire: MacMillan Press, 1978.

DUAYER, Mário; MEDEIROS, João Leonardo; PAINCEIRA, Juan Pablo. A miséria do instrumentalismo na tradição neoclássica. Estudos Econômicos, São Paulo, v.15, n.4, p. 723-783, out.-dez., 2001.

FEIJÓ, Carmem Aparecida. Decisões empresariais em uma economia monetária de produção. In: LIMA, Gilberto Tadeu; SICSÚ, João; PAULA, Luiz Fernando. (orgs.) Macroeconomia moderna: Keynes e a Economia contemporânea. Rio de Janeiro: Campus, 1999.

__________. Micro and Macro relations in a Monetary Production Economy. In: INTERNATIONAL WORKSHOP UFF-UNISI, 2., 1-2 jun., Niterói, 2006.

FILHO, Fernando Ferrari; CONCEIÇÃO, Otavio Augusto Camargo. A noção de incerteza nos pós-keynesianos e institucionalistas: uma conciliação possível? In: ECONTRO NACIONAL DE ECONOMIA da Anpec, 29., Salvador, 2001.

FORSTATER, Mathew. An institutionalist Post Keynesian methodology of economic policy with an application to full employment. Working Paper nº18, 2001. Disponível em: http://www.cfeps.org/pubs/wp-pdf/WP18-Forstater.pdf. Acesso em: 25 jun. 2006.

FRIEDMAN, Milton. A Metodologia da Economia Positiva. Edições Multiplic, v.1, n.3, p. 163-200, fev., 1981.

HODGSON, Geoffrey. Post-Keynesianism and Institutionalism: the missing link. In: PHEBY, John. (ed.) New Directions in Post-Keynesian Economics. Adelshot: Edward Elgar, 1989.

__________. Calculations, Habits and Action. In: GERRARD, Bill. The Economics of Rationality. London: Routledge, 1993.

__________. The Return of Institutional Economics. In: SMELSER, Neil; SWEDBERG, Richard. (eds.) The Handbook of Economic Sociology. New York: Princeton University Press, 1994.

__________. Evolution and Institutions: on evolutionary economics and the evolution of economics. Cheltenham: Edward Elgar, 1999a. 345 p.

__________. Post Keynesianism and Institutionalism: another look at the link. In: SETTERFIELD, Mark. Growth, Employment and Inflation: essays in honour of John Cornwall. London: Macmillan, 1999b.

__________. A evolução das instituições: uma agenda para pesquisa teórica futura. Revista Econômica, v.3, n.1, p.97-125, junho, 2001.

__________. What are institutions? Journal of Economic Issues, vol.40, n.1, 2006.

__________. The problem of formalism in economics. In: HODGSON, Geoffrey. Economics in the Shadows of Darwin and Marx: Essays on Institutional and Evolutionary Themes. Cheltenham: Edward Elgar (forthcoming).

KEYNES, John Maynard. The General Theory of Employment, Interest, and Money. New York: Prometheus Books, 1997.

KUHN, Thomas Samuel. A Estrutura das Revoluções Científicas. 7. ed. São Paulo: Editora Perspectiva, 2003.

LAWSON, Tony. The nature of Post Keynesianism and its links to other traditions: a realist perspective. Journal of Post Keynesian Economics, vol.16, n.4, p.503-538, 1994.

__________. Economics and Reality. London: Routledge, 1997.

__________. Connections and distinctions: Post Keynesianism and critical realism. Journal of Post Keynesian Economics, vol.22, n.1, p.3-14, 1999.

__________. Reorienting Economics. London: Routledge, 2003a.

__________. Institutionalism: on the need to firm up notions of social structure and the human subject. Journal of Economic Issues, vol.XXXVII, n.1, mar., p.175-207, 2003b.

__________. The nature of institutional economics. Evolutionary and Institutional Economics Review, 2(1), p.7-20, 2005a.

__________. The nature of heterodox economics. Cambridge Journal of Economics, vol.1, n.23, 2005b.

LIMA, Gilberto Tadeu; SICSÚ, João; PAULA, Luiz Fernando. (orgs.) Macroeconomia moderna: Keynes e a Economia contemporânea. Rio de Janeiro: Campus, 1999.

LIMA, Luiz Antonio de Olieira. Uma reconsideração dos fundamentos microeconômicos da macroeconomia. In: LIMA, Gilberto Tadeu; SICSÚ, João; PAULA, Luiz Fernando. (orgs.) Macroeconomia moderna: Keynes e a Economia contemporânea. Rio de Janeiro: Campus, 1999.

MÉNARD, Claude. Methodological issues in new institutional economics. Journal of Economic Methodology, vol.8, n.1, p.85-92, 2001.

MOREIRA, Ricardo Ramalhete. Relativizando o dilema estabilidade versus instabilidade: Keynes, o Mainstream e o conceito de bifurcação em Economia. Revista EconomiA, vol.7, n.1, jan.-abr., p.189-216, 2006.

NORTH, Douglass. Economic Performance Through Time. Nobel Lecture, 1993. Disponível em: http://nobelprize.org/economics/laureates/1993/north-lecture.html. Acesso em: 25 jul. 2005.

RADZICKI, Michael. Expectation Formation and Parameter Estimation in Uncertain Dynamical Systems: The System Dynamics Approach to Post Keynesian-Institutional Economics. In: Proceedings of the Twenty Second International System Dynamics Conference, jul., Keble College, University of Oxford, Oxford, 2004.

__________. Institutional Economics, Post Keynesian Economics, and System Dynamics: Three Strands of a Heterodox Economics Braid. In: HARVEY, John; GARNETT, Robert (eds.). The Future of Heterodox Economics. Michigan: University of Michigan Press, 2005.

RAUD-MATTEDI, Cècile. Análise crítica da Sociologia Econômica de Mark Granovetter: os limites de uma leitura do mercado em termos de redes e imbricação. Política e Sociedade, v.6, p.59-82, 2005.

RICHTER, Rudolf. Macroeconomics from the viewpoint of modern institutional economics, 2001. Disponível em: http://www.uni-saarland.de/fak1/fr12/albert/mitarbeiter/richter/institut/macroinst.pdf. Acesso em: 25 jun. 2006.

RUTHERFORD, Malcolm. Institutions in Economics: the old and the new institutionalism. Cambridge: Cambridge University Press, 1994.

__________. Institutional Economics: then and now. Journal of Economic Perspectives,15(3), p.173-194, 2001.

__________. Bounded Rationality. In: EATWELL, J. et. alli. (ed.). The New Palgrave. London: Macmillan, 1987.

SAYER, Andrew. Abstraction: a realist interpretation. In: ARCHER, Margaret et al. (Ed.) Critical Realism: essential readings. Londres: Routlegde, 1998.

THÉRET, Bruno. As instituições entre as estruturas e as ações. Lua Nova, n.58, p.225-254, 2003.

VEBLEN, Throstein. Why is Economics not an Evolutionary Science. In: __________. The place of science in modern civilization and other essays. New York: Russell & Russell, 1961[1898].

__________. The preconceptions of economic science II. In: VEBLEN, Throstein. The place of science in modern civilization and other essays. New York: Russell & Russell, 1961[1899].


Métricas do artigo

Carregando Métricas ...

Metrics powered by PLOS ALM

Apontamentos

  • Não há apontamentos.