ESPELHOS PARTIDOS: SAMBA E TRABALHO NO TEMPO DO “ESTADO NOVO”

Adalberto de Paula Paranhos

Resumo


O cerco do silêncio que a ditadura do "Estado Novo" montou em torno das práticas e discursos que pudessem destoar das normas então instituídas levou muita gente, por muito tempo, a acreditar no triunfo de um pretenso "coro da unanimidade nacional". Trafegando na contramão dessa corrente, que estende seu alcance aos domínios da música popular, este texto procura levantar uma parte do véu que encobre manifestações que desafinaram o “coro dos contentes” durante o regime estado-novista. Seu foco são as vozes destoantes do samba produzido à época, apesar da férrea censura dos organismos oficiais (particularmente do DIP, Departamento de Imprensa e Propaganda). Sitiados pelas forças conservadoras, nem por isso todos os compositores populares se deixaram apanhar na rede do culto ao trabalho propagado pela ideologia governamental. Falas dissonantes repontaram aqui e ali, evidenciando que por mais ditatorial ou supostamente totalitário que seja esse ou aquele regime, nunca se consegue calar por inteiro as dissidências ou as diferenças. E estas se expressam inclusive nas representações das relações de gênero acolhidas na música popular.

Palavras-chave


Estado Novo; governo Vargas; ideologia do trabalhismo; música popular; samba

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