Pragmatismo e Realismo: A Semiótica como Transgressão da Linguagem

Ivo Assad Ibri

Resumo


O estudioso atento da Fenomenologia de Peirce muito provavelmente perceberá, nesta primeira ciência da Filosofia que lida apenas com as aparências e com uma taxonomia da experiência fundadora da estrutura categorial do autor, um prenúncio de uma ontologia que lá não tem espaço teórico, mas que irá consumar-se, posteriormente, em seu âmbito próprio na Metafísica. No interior da Fenomenologia, também as categorias da experiência irão indicializar uma simetria entre sujeito e objeto, sugerindo, de gênese, que o plano da epistemologia interaja fortemente com a ontologia, impondo à Semiótica um compromisso de harmonia teórica com o realismo dos continua adotado por Peirce. É desse modo que o plano da significação ou o universo dos interpretantes não poderá ficar confinado à linguagem tão-somente, tampouco tomá-la como instância fundante do objeto à medida que este se colocar como realidade. Tais condições teóricas de contorno irão inserir o Pragmatismo como doutrina essencial que possibilitará uma amplificação do conceito de significado, necessário a uma harmonia entre a Semiótica e o realismo peirceano. A possibilidade cognitiva do signo será dada pela objetivação de seu lado interior na forma de exterioridade fenomênica, mantendo, assim, o compromisso epistemológico fornecido pela regra de significação pragmática. É nessa linha de desenvolvimento teórico que se buscará evidenciar, neste pequeno ensaio, que a Semiótica não é apenas um sistema de signos no qual se organizam as linguagens humanas e suas respectivas lógicas, organizando os conteúdos de conhecimento e a significação de seus objetos, mas, também, uma ciência pragmática em seu mais abrangente sentido. Em outras palavras, ela deve permitir não tão-somente uma leitura dos fenômenos da comunicação intersubjetiva, mas, igualmente, uma leitura realista de mundo na qual os signos naturais se interconectam transitivamente, isto é, significam comunicativa e pragmaticamente. Pretende-se neste trabalho, em resumo, mostrar que a Semiótica, quando associada a um princípio de significação dado pela relação entre signo e ação por ele provocada, ou seja, ao Pragmatismo, adquire o verdadeiro alcance realista requerido pela filosofia de Peirce.

Palavras-chave


Pragmatismo clássico; Semiótica filosófica; Ontologia; Peirce

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