O Amor Criativo como Princípio Heurístico na Filosofia de Peirce

Ivo Assad Ibri

Resumo


Um dos mais importantes ensaios publicados por Peirce é, sem dúvida, The Law of Mind, de 1892. Nele, o autor teoriza sobre o poder de crescimento e espraiamento das idéias, especulando sobre a interatividade delas e, sem menos importância, retomando a questão clássica sobre como a matéria pode afetar o espírito, tomando-se o dualismo cartesiano como uma aporia de princípio para uma possível resposta, tal como já o considerava, por exemplo, Berkeley. Lança Peirce, nesse ensaio, mais suportes para seu Idealismo Objetivo, em que eidos é o substrato último da realidade, rompendo o dualismo mente-matéria por fazer desta um caso especial daquela. Refletimos neste trabalho sobre a duplicidade semântica da palavra inglesa affect, fulcral naquele ensaio, explorando seus sentidos de afetar e afeiçoar e buscando evidenciar que ambos significam no interior do evolucionismo peirciano. Em The Law of Mind, o evolucionismo já se anuncia requerendo que se teçam suas formas. É o que buscamos na segunda parte deste pequeno ensaio, expondo como tais formas se desenham à luz das categorias de Peirce, destacando-se o Agapismo, doutrina do amor cósmico criativo, cujo poder aglutinador vem enfim realizar a possibilidade semântica do termo affect enquanto expressão de afeição. Como última parte deste trabalho, enfatizamos nosso ponto de vista segundo o qual necessariamente idealismo e realismo se conciliam no interior da filosofia peirciana, para além da clássica oposição que desconsidera o real teor de ambas as doutrinas nesta filosofia, a saber, o caráter objetivo do idealismo e a defesa da realidade dos continua do realismo. Por fim, consideramos a Semiótica uma ciência que se alimenta não apenas de seu chão fenomenológico e daquilo que vale ética e esteticamente, mas, também, que se retroalimenta da ontologia para ajuste de suas formas, de sua estrutura interna, abrindo-se para interagir com as formas do objeto que aparecem para determinação do signo. Não é outro o contexto da Heurística em Peirce: a busca da justificativa da Abdução fora desse contexto anunciado nos parece andar em círculos, hesitando entre duas opções que certamente não têm acolhida no autor, ou seja, um tácito transcendentalismo ou um antropocentrismo psicologizante.

Palavras-chave


Ontologia; Mente-matéria; Evolucionismo; Idealismo-realismo; Heurística; Abdução

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