A gênese da experiência criativa em C.S. Peirce

Alessandro Ballabio

Resumo


O propósito deste artigo é mostrar a relação entre a experiência perceptiva e o raciocínio abdutivo em C.S. Peirce. Ademais, apresento a abdução como uma expressão lógica, prática e criativa apta a introduzir uma novidade no reino do conhecimento, através de um sistema de signos gráficos. A noção peirciana de experiência está relacionada com a de uma práxis interpretativa e criativa, que não se limita ao recebimento ou registro de dados pré-constituídos passivamente. Nesse sentido, a abdução é o hábito lógico vivo que explica o mundo percebido como um caso particular de um mundo concebível, no qual uma regra geral ou hipótese é efetivo. Apresentarei a abdução como um raciocínio que infere a causa a partir do efeito, o antecedente a partir do consequente, a ordem geral de um fato percebido particular e um “extra comum”. A abdução não apenas estabelece um fato singular, mas torna o fato visível dentro de um novo contexto de relações possíveis. Assim, quando vemos uma figura, nós não vemos somente uma mera figura, mas uma figura “como se” ela fosse o resultado percebido de um sistema geral de relações possíveis. O gesto da mão dá existência à figura e a torna visível para nós, pois ela descobre essas relações que constituem o contexto de interpretação da figura. Nesse aspecto, o gesto gráfico consiste na concretização prática que permite uma interpretação topológica possível do mundo real percebido.

Palavras-chave


Abdução; Criatividade; Experiência; Gesto; Percepção;

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DOI: https://doi.org/10.23925/2316-5278.2018v19i2p220-226

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