Ética e razoabilidade ou como viver criativamente

Hedy Boero

Resumo


A história da ética filosófica é, em grande parte, uma tentativa de elucidar a maneira na qual os seres humanos podem fomentar um êthos, para atingir a própria plenitude. Fosse Peirce convidado a mostrar, primeiro, o que ele entendia pelo êthos do filósofo ou do cientista, ele responderia facilmente que é a busca por um ideal e verdades eternas, isto é, a própria razoabilidade que rege o universo. Fosse ele questionado, logo após, o que o êthos dos seres humanos é, em geral, quer dizer, o que guia e dá sentido à vida de cada pessoa, sua resposta não diferiria muito da anterior: todos os seres humanos, por meio de suas ações concretas, devem encarnar a razoabilidade, o ideal admirável ou o summum bonum em suas próprias vidas. A resposta bem conhecida de Peirce contém uma visão criativa muito profunda da vida ética: esta é a construção progressiva e contínua de diversas possibilidades de ação, por meio da qual cada pessoa configura seu próprio êthos, segundo esse fim admirável, que é uma representação daquilo que seria uma vida boa, desejável e próspera. Isto pode não parecer original no contexto da história da ética filosófica – Aristóteles já tinha dito algo semelhante. Entretanto, há duas noções muito ricas e sugestivas no pensamento de Peirce, as quais podem sem dúvida ser recuperadas, visto que elas podem contribuir de maneira significativa para essa reflexão, a saber: a razoabilidade e a abdução. Como tentarei mostrar, para Peirce viver eticamente é viver criativamente.

Palavras-chave


Abdução; Criatividade; Peirce; Razoabilidade; Vida ética.

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DOI: https://doi.org/10.23925/2316-5278.2019v20i2p244-258

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