Instinto gráfico: o relato do instinto gráfico: o relato da ação retórica e suas raízes instintivas na classificação das ciências práticas de Peirce

Alessandro Topa

Resumo


Em um artigo intimamente relacionado a este, mostramos que o estudo mais maduro de Peirce sobre a retórica especulativa, em Ideas, Stray or Stolen, about Scientific Writing (1904), nos convida a refletir e apreender o fenômeno da retórica em sua totalidade. Seguindo pistas aristotélicas, Peirce – implicitamente – diferencia três aspectos categoriais da ação retórica, diferenciando entre (i) sua potencialidade [δύναμις] e perfeição [ἐντελέχεια] como uma faculdade instintiva de tornar signos eficazes em uma utópica arte universal, (ii) sua atualidade como um discurso prático normativo historicamente eficaz e que molda a prática retórica [τέχνη], referida como retórica comum; e (iii) sua formalidade, articulada pela investigação puramente teórica [θεωρία] das condições necessárias da eficiência dos signos em geral, intitulada  Retórica Especulativa. Assim como nosso modo de ser com os outros em um mundo comum de compartilhamento de propósitos, a retórica, tanto para Aristóteles quanto para Peirce, constitui uma forma semiótica do summum bonum, cujo cultivo é essencial para o crescimento da razoabilidade concreta em qualquer comunidade política e na civilização como um todo. No presente artigo, começamos reconstruindo o relato da retórica de Peirce, no quadro de sua classificação das ciências práticas (Seção 2.1), e depois mostramos como esse relato da retórica como uma faculdade enraizada no “Instinto Gráfico” confirma a análise que apresentamos no trabalho anterior (Seções 2.2-2.3). Na seção final, tentaremos esboçar em que sentido a importância de conceber a retórica como uma δύναμις com uma ἐντελέχεια específica, ou “potencialidade-ideia” do aperfeiçoamento do desenvolvimento, pode nos ajudar a apreciar o papel histórico emancipatório que Peirce atribui às Ciências Normativas (Seção 3).

Palavras-chave


Aristóteles; Arte; Ciência prática; Comunicação; Enteléquia; Instinto; Normatividade; Peirce; Retórica; Semiose; Summum Bonum.

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DOI: https://doi.org/10.23925/2316-5278.2020v21i1p132-151

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