O discurso político entre recusas e controles das estratégias enunciativas midiáticas: observações sobre a midiatização da campanha eleitoral de 2006

Antônio Fausto Neto

Resumo


Algumas hipóteses envolvendo as especificidades de enunciações produzidas
pelos discursos político e midiático norteiam estas reflexões sobre estratégias referentes
à campanha eleitoral de 2006, especialmente àquelas que abrangem os debates
televisivos realizados no primeiro turno. Examinam-se, particularmente, dois
tipos de trabalhos enunciativos: os desenvolvidos pela mídia televisiva para definir
as “condições de acesso” dos candidatos à esfera pública, por meio dos debates,
e, de modo particular, as estratégias desenvolvidas por Lula para escapar às
operações sentido do trabalho televisivo, cuja ênfase voltava-se para a realização
de seus próprios formatos. Não se pode, ainda, responder se as recusas das estratégias
do candidato-eleito de jogar o jogo da enunciação televisiva significam as
possibilidades de a política se fazer pública, escapando a certas operações do
trabalho de sentido das mídias. De qualquer forma, porém, indicam pistas
valiosíssimas sobre a incompletude das “políticas de sentido” das mídias. Apesar
delas, a política se faz pública e, na mídia, em meio às várias interdiscursividades,
dá-se, por uma ampla complexidade de signos, o modo de ser diverso dos diferentes
campos sociais.
Palavras-chave: enunciação; midiatização; midiatização da política; sentidos


Abstract: Observations on the 2006 electoral campaign — These reflections about strategies
employed in the 2006 electoral campaign, especially those involving television
debates held in the first round, are based on several hypotheses about the
specificities of enunciations by political and mediatic discourses. In particular,
two types of enunciative work are examined: those developed by television to
define the ‘conditions of access’ of candidates to the public sphere by means of
debates, and, specifically, the strategies developed by Lula to escape from the
context of the operations devised by television, whose emphasis focused on the
achievement of his own agendas. It is still too early to affirm that the strategy of
the candidate elect in refusing to play the game of televised enunciation implies
the possibility of politics becoming public, escaping from certain operations of
the media’s work of meaning. Be that as it may, it provides valuable clues about
the incompleteness of the media’s ‘policies of meaning’. Despite these policies,
politics becomes public and, in the media, in the midst of the various
interdiscursivities, it is manifested through a complex range of signs, thus diverging
from the various social fields.
Keywords: enunciation; mediatization; mediatization of politics; meanings

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