Uma nota sobre o casamento

a problematização foucaultiana do amor conjugal no estoicismo

Autores

  • Cassiana Lopes Stephan Universidade Federal do Rio de Janeiro

DOI:

https://doi.org/10.23925/politica.v12i1.66973

Palavras-chave:

Familiarização, Sociabilização, Amor, Amizade, Casamento

Resumo

Para estoicos, a vida conjugal que não se fecha em si mesma – ou seja, que não impede ou descarta a experiência da amizade para além dos limites da casa – pode se constituir como uma rica prática social, através da qual a familiarização (oikeíosis) é exercitada de modo a conectar um amante ao outro e ambos à pluralidade do cosmos. Com base nisso, em primeiro lugar, reconstituiremos a teoria da familiarização, tal que respaldada pela ontologia estoica de Hierocles; em segundo lugar, levando em consideração as características da familiarização estoica, recorreremos às interpretações de Foucault sobre o cenário greco-romano do cuidado de si para problematizarmos a potência ético-política do amor conjugal no estoicismo. Nosso objetivo é o de entender por que os estoicos aconselhavam o casamento para, em seguida, indicar em que medida esse tipo de recomendação teria contribuído para a valorização histórico-filosófica do amor conjugal e de sua estruturação heterossexual.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Cassiana Lopes Stephan, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Pós-doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro – PPGE/UFRJ, Laboratório de Estudos Queer em Educação (LEQUE), Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil. cassianastephan@yahoo.com.br

Referências

ATHENAEUS. The Deipnosophists. Edição bilíngue. Trad: Charles Burton Gulick. London: Harvard University Press, 1927.

BABUT, D. Les stoïciens et l’amour. Revue des Études Grecques, Paris, tome 76, 1963, pp.55-63.

BUTLER, J. Gender Trouble: Feminism and the Subversion of Identity. New York/London: Routledge, 1999.

DIOGENES LAERTIUS. Live of Eminent Philosophers. Trad: R.D. Hicks. Cambridge: Harvard University Press, 1972.

EPICTETUS. Discourses and Selected Writings. Trad: Robert Dobbin. London: Penguin Books, 2008.

EPICTETO. O Encheirídion de Epicteto. Edição bilíngue. Trad: Aldo Dinucci e Alfredo Julien. São Cristóvão: EdiUFS, 2012.

FOUCAULT, M. História da sexualidade 2: o uso dos prazeres. Trad: Maria Thereza da Costa Albuquerque. São Paulo: Graal, 2012.

FOUCAULT, M. História da sexualidade 3: o cuidado de si. Trad: Maria Thereza da Costa Albuquerque. São Paulo: Graal, 2011.

FOUCAULT, M. História da sexualidade 4: as confissões da carne. Trad. Heliana de Barros Conde Rodrigues & Vera Portocarrero. Rio de Janeiro/São Paulo: Paz & Terra, 2020.

GILL, C. A escola no período imperial romano. INWOOD, Brad (org.). Os estoicos. Trad: Paulo Fernando Tadeu Ferreira e Raul Fiker. São Paulo: Odysseus, 2006, pp.35-63.

HIEROCLES. Hierocles the Stoic: Elements of Ethics, Fragments and excerpts. Edição bilíngue. Trad: David Konstan. Boston: Brill, 2009.

LONG, A. A.; SEDLEY, D. N. The Hellenistic Philosophers: Greek and Latin Texts with Notes and Bibliography. Cambridge: Cambridge University Press, 2003. 2v.

SCHOFIELD, M. The Stoic Idea of The City. Chicago: The University of Chicago Press, 1999.

SEDLEY, D. A Escola, de Zenon a Ário Dídimo. In: INWOOD, Brad (org.). Os estoicos. Trad: Paulo Fernando Tadeu Ferreira e Raul Fiker. São Paulo: Odysseus, 2006, pp.7-34.

SÉNECA. Cartas a Lucílio. Trad: J.A. Segurado e Campos. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 2004.

VESPERINI, P. Droiture et mélancolie : sur les écrits de Marc-Aurèle. Paris: Verdier, 2016.

Downloads

Publicado

2024-07-22

Como Citar

Stephan, C. L. (2024). Uma nota sobre o casamento: a problematização foucaultiana do amor conjugal no estoicismo. PoliÉtica. Revista De Ética E Filosofia Política, 12(1), 247–274. https://doi.org/10.23925/politica.v12i1.66973