Indicações de partos cesáreos em hospitais de atendimento ao Sistema Único de Saúde: baixo e alto riscos

Joe Luiz Vieira Garcia Novo, Caroline Rosa Pellicciari, Letícia de Arruda Camargo, Sérgio Borges Bálsamo, Neil Ferreira Novo

Resumo


Objetivo: Analisar indicações de partos cesáreos em pacientes de baixo e de alto risco provenientes, respectivamente, do Hospital Santa Lucinda (HSL) e do Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS), do Sistema Único de Saúde (SUS), em Sorocaba, São Paulo. Métodos: Estudo retrospectivo dos prontuários das pacientes internadas nesses hospitais, submetidas a cesáreas no período de 01 de março de 2014 a 01 de março de 2015. A pesquisa avaliou parâmetros maternos socioepidemiológicos, reprodutivos, clínicos, indicações das cesáreas e dados neonatais dos recém-nascidos. Resultados: No total de partos ocorridos, indicaram-se cesáreas em 56,3% (CHS) e 32,4% (HSL), havendo significância estatística (p<0,001). Pacientes com cesárea anterior prevaleceram no HSL (77,0%) em comparação com o CHS (56,4%), com proporções estatísticas significativas (p=0,0009). As indicações prevalentes de cesáreas no HSL foram: sofrimento fetal (24,0%), falha na indução ao parto (22,0%) e desproporção céfalo-pélvica (18,7%). No CHS, as maiores proporções foram: sofrimento fetal (35,3%) e iteratividade (25,3%), revelando significância estatística (p<0,0001). Conclusões: O estudo revelou que as proporções de partos cesáreos em ambas as maternidades são superiores àquelas preconizadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A provável redução de proporções de partos cesáreos na maternidade de baixo risco poderia vir com indicações precisas de indução à parturição, utilização de analgesia ao parto e, ainda, com a devida prática da extração baixa transvaginal do feto pelo fórcipe de alívio às parturientes. Em relação às pacientes de alto risco, tal queda de cesáreas estará subordinada às melhores atenções das políticas públicas de atenção à saúde da mulher brasileira.


Palavras-chave


parto; cesárea; parto obstétrico; gravidez de alto risco; Sistema Único de Saúde

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DOI: http://dx.doi.org/10.23925/1984-4840.2017v19i2a4

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