As representações sociais dos usuários dos serviços de saúde sobre o homem na enfermagem

Welington Luis Lima Feliciano, Leni Boghossiam Lanza, Viviane Aparecida Bueno Pinto

Resumo


A predominância do sexo feminino na Enfermagem é histórica e ainda perceptível. O homem nessa atividade se fez presente em vários momentos históricos e ainda o é em outras culturas, mas em âmbito nacional não atinge 15%. Objetivo: Conhecer a percepção dos usuários do sistema de saúde da cidade de Sorocaba, São Paulo — Unidade de Saúde da Família e hospital — sobre a presença e a assistência de Enfermagem realizada pelo profissional do sexo masculino. Método: Estudo descritivo, exploratório, de abordagem qualitativa. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevista oral, gravada, orientada por uma questão norteadora, além de formulário sociodemográfico. Os depoimentos foram organizados segundo o Discurso do Sujeito Coletivo, analisados e interpretados por meio da análise de conteúdo, modalidade temática. Resultados: Os depoentes predominantemente foram mulheres com mais de 30 anos de idade, ensino fundamental completo e casadas. Perceberam a tendência crescente masculina na Enfermagem e associaram a força física ao profissional masculino, reforçando a concepção de trabalho manual e feminino da profissão de Enfermagem. Sentiram-se constrangidas na presença do homem, mas revelaram a importância da competência profissional para atenuar o constrangimento diante da assistência masculina em situações de exames específicos da mulher. Conclusão: Apesar da inserção incipiente masculina na Enfermagem, observou-se que ainda há barreiras e paradigmas a serem desmistificados e superados, incluindo o preconceito. Detectou-se a escassez de estudos acerca dessa temática e espera-se, com a expansão da Atenção Básica à Saúde, que a visibilidade social do homem exercendo a Enfermagem aumente.


Palavras-chave


enfermagem; enfermeiros; fatores sociológicos

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DOI: https://doi.org/10.23925/1984-4840.2019v21i1a4

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