Colestase intra-hepática da gravidez

uma série de casos

Autores

  • Elizabeth Kazuko Watanabe Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde
  • Julia Bertier Pasqualin Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde
  • Clara Zeferino Garcia Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde
  • Gabriel Salvestro Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde
  • Inajá Reginatto Roberto Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde

Palavras-chave:

Colestase Intra-Hepática, Complicações na Gravidez, Prurido

Resumo

Introdução: A colestase intra-hepática da gravidez (CIHG) cursa com prurido generalizado no 2o e 3o trimestres, elevação de transaminases e ácidos biliares (AB), com regressão 2-3 semanas pós-parto. A incidência é de 0,5 a 2 %, maior em gemelar, com recorrência em 45 a 70%. O prurido é de intensidade variável, com piora à noite, maior em regiões palmares e plantares, sem lesão da pele. Após 1-4 semanas do início pode haver icterícia leve e elevação de bilirrubinas. A etiologia não é bem conhecida; há fatores predisponentes ambientais, geográficos, nutricionais, hormonais, predisposição genética familiar, com possíveis mutações gênicas. O diagnóstico é clínico, associado à dosagem de AB maior que 10 μmol/L. Cursa com mau desfecho obstétrico, parto prematuro, sofrimento fetal, óbito por estresse oxidativo na placenta e alterações na função miocárdica fetal. O tratamento é polêmico, há defensores da conduta expectante, com controle da vitalidade fetal até o termo. A terapêutica com ácido ursodesoxicólico (AUDC) é a mais utilizada. Caso 1: Paciente, 34 anos, 5G4P, com prurido corporal desde 31 semanas, maior em palmas das mãos e plantas dos pés e piora à noite. Última gestação com prurido a partir do 7o mês, sem tratamento e parto normal de termo, natimorto com 2100g. Exames: AST 60, ALT 78, BT 0,91, FA 386. Realizou cardiotocografia (CTG) semanal e ultrassonografia quinzenal. Usou AUDC 300mg/dia desde 31 semanas até 2 dias antes do parto, com melhora do prurido e exames normais. Amniorrexe prematura com 37 semanas e 4 dias, parto normal, RN feminino, peso 3340g. O prurido sumiu 2 dias após. Caso 2: Paciente, 30 anos, 3G2P, prurido desde 30 semanas. Última gestação com prurido após 33 semanas, sem tratamento, cesárea com 35 semanas e 2 dias por mecônio e sofrimento fetal. Na atual gestação foi internada por alterações da função hepática e piora do prurido, com BT 0,52, AST 179, ALT 124, FA 200, GGT 115. Tomou AUDC 300mg/dia por 2 dias, com melhora do prurido. Apresentou CTG com desacelerações tardias com 36 semanas e 3 dias, submetida a cesárea. RN feminino, peso 2780g, Apgar 8/9 com boa evolução. Os exames e o prurido melhoraram 3 dias depois. Discussão: Apesar da dosagem de AB indisponível no serviço, o quadro clínico de CIHG foi evidente. Conclusão: a CIHG tem poucas repercussões maternas porém piora o desfecho perinatal.

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Publicado

2022-10-28

Como Citar

Watanabe, E. K., Pasqualin, J. B., Garcia, C. Z., Salvestro, G., & Roberto, I. R. (2022). Colestase intra-hepática da gravidez: uma série de casos. Revista Da Faculdade De Ciências Médicas De Sorocaba, 24(Supl.). Recuperado de https://revistas.pucsp.br/index.php/RFCMS/article/view/59662