Pânicos morais e mobilização política

as estratégias da extrema direita para controlar o debate público

Autores

  • Herbert Rodrigues Missouri State University

DOI:

https://doi.org/10.23925/1982-6672.2025v17i52p48-71

Palavras-chave:

pânico moral, bolsonarismo, extrema direita, negacionismo, populismo

Resumo

Este artigo analisa a instrumentalização de pânicos morais durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), com foco nos discursos utilizados para reforçar as estratégias políticas da extrema direita, deslegitimar opositores e mobilizar a base de aliados. A partir de uma abordagem qualitativa, o estudo discute os principais casos de pânicos morais fomentados durante o período, incluindo a questão da pedofilia, a “ideologia de gênero”, as críticas à comunidade LGBTQIA+, a defesa da família tradicional, o movimento Escola sem Partido, os ataques violentos nas escolas, a ideia de “cidadão de bem”, o negacionismo científico, particularmente na pandemia de COVID-19, a demonização do comunismo e do globalismo como inimigos internos e externos, entre outros. Utilizando análise de discurso e revisão bibliográfica sobre pânicos morais, extrema direita e comunicação política, argumentamos que esses pânicos foram fundamentais para a manutenção do apoio à extrema direita, promovendo polarização e desconfiança institucional.

Biografia do Autor

Herbert Rodrigues, Missouri State University

Professor de Sociologia da Missouri State Univeristy, EUA. Doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Antropologia Social também pela Universidade de São Paulo (USP).

Lattes: http://lattes.cnpq.br/4620177782951175  

Referências

BECKER, Howard S. Outsiders: estudos de sociologia do desvio. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008.

COHEN, Stanley. Folk devils and moral panics: the creation of the Mods and Rockers. St. Albans: Paladin, 1972.

GOODE, Erick; BEN-YEHUDA, Nachman. Moral panics: the social construction of deviance. Nova Jersey: Wiley-Blackwell, 2009.

HIER, Sean. Moral panic and the politics of anxiety. London: Routledge, 2011.

MACHADO, Carla. Pânico moral: para uma revisão do conceito. Interações: Sociedade e as Novas Modernidades, v. 4, n. 7, pp. 60-80, 2004.

MUDDE, Cas. The far right today. Cambridge: Polity Press, 2019.

OLIVEIRA, Cleide E.; BITTENCOURT, Nadir de F.; SOUZA, Veralúcia; PIMENTEL, Paulo S.; ORMOND, Kátia T.; SILVA, Isabel C. A construção do pânico moral a partir das questões de gênero e sexualidades nos discursos ultraconservadores no Brasil. Ex æquo, n. 41, pp. 27-44, 2020.

ORTEGA, Francisco; ORSINI, Michael. Governing COVID-19 without government in Brazil: ignorance, neoliberal authoritarianism, and the collapse of public health leadership. Global Public Health, v. 15, n. 9, pp. 1257–1277, 2020.

RODRIGUES, Herbert. A pedofilia e suas narrativas: uma genealogia do processo de criminalização da pedofilia no Brasil. Rio de Janeiro: Multifoco, 2017.

VAROUFAKIS, Yanis. Technofeudalism: what killed capitalism. Hoboken: Melville House Publishing, 2024.

WACQUANT, Löic. Punir os pobres: a nova gestão da miséria nos Estados Unidos. Rio de Janeiro: Editora Revan, 2003.

WEBER, Max. Economia e sociedade: fundamentos da sociologia compreensiva. Brasília: UnB, 2000.

YOUNG, Jock. The drugtakers: the social meaning of drug use. London: MacGibbon and Kee, 1971.

YOUNG, Jock. Slipping away: moral panic each side of the “golden age”. In: Downes, D.; Rock, P.; Chinkin, C.; Gearty, C. (eds). Crime, social control and human rights. Devon: Willan Publishing, 2007, pp. 53-65.

Downloads

Publicado

2026-01-26

Como Citar

Rodrigues, H. (2026). Pânicos morais e mobilização política: as estratégias da extrema direita para controlar o debate público. Aurora. Revista De Arte, Mídia E Política, 17(52), 48–71. https://doi.org/10.23925/1982-6672.2025v17i52p48-71