A falácia do antiintencionalismo

Rafael Lopes Azize

Resumo


A concepção moderna de literatura idealizou a linguagem literária como um jogo de linguagem à paire dos demais, uma dimensão do sentido que seria "poética", não parafraseável nos seus sentidos figurados, incomensurável relativamente à linguagem ordinária. O romantismo instituiu como o valor literário central uma idéia de autenticidade, fundada no mentalismo introspectivo. Contrapondo-se à concepção da linguagem como expressão mentalista, corrente no romantismo, muitos formalistas situam o significado como intrínseco à estrutura da linguagem, e atribuem ao uso literário da linguagem um peculiar caráter polissêmico. É como se, para rejeitar a mimese clássica da duplicação da natureza e a mimese interior expressivista, houvesse que esvaziar de sentido o problema da relação entre linguagem e mundo. Um dos pontos-chave da defesa da autonomia da linguagem literária através da afirmação da sua polissemia peculiar tem sido a refutação da aplicabilidade da noção de intencionalidade. No entanto, trata-se de questões diversas. Oferece-se um contra-argumento ã tese central de "A falácia intencional" (1949), de Wimsatt e Beardsley. O Gedankenexperiment do poema encontrado nas areias da praia não é adequado para ilustrar um argumento antiintencionalista porque pressupõe o que pretende negar, velando os critérios de aplicação dos verbos de comunicação (como ler, interpretar, certos usos de ouvir, etc). Estes critérios apontam para a intencionalidade, e para o espaço extratextual.

Texto completo:

PDF

Métricas do artigo

Carregando Métricas ...

Metrics powered by PLOS ALM

Apontamentos

  • Não há apontamentos.