O papel da informação no processo sistêmico da mente

o antropoceno à luz de uma aproximação filosófica entre Peirce e Bateson

Autores

DOI:

https://doi.org/10.23925/2316-5278.2023v24i1:e63904

Palavras-chave:

Informação, Mente, Causalidade, Ecologia da Mente, Antropoceno, Sinequismo

Resumo

Investigamos, neste texto, as concepções de informação propostas por Peirce (1839-1914) e Bateson (1904-1980) e suas implicações no processo sistêmico e evolucionário da mente, contextualizando-as no antropoceno. Destacamos as semelhanças entre as abordagens dos dois autores a partir do papel exercido pela informação na dinâmica constitutiva dos processos mentais, bem como tais abordagens podem servir como uma bússola para redirecionarmos nossa visão fragmentada de mundo e minimizarmos os impactos da ação humana na natureza, amenizando as dificuldades da era do antropoceno. Diferentemente da abordagem determinista, mecanicista e reducionista nos estudos da causalidade que rege as relações, mostramos que Peirce e Bateson inserem a informação como elemento principal que propicia a emergência da comunicação, do acaso, da organização e da continuidade dos sistemas vivos. Nossa hipótese é a de que para ambos os autores, a mente é imanente e coextensiva à natureza, cuja complexidade extrapola os limites investigativos da ciência tradicional, lançando luz aos debates sobre o antropoceno, os quais visam investigar, compreender e propor ações para amenizar os impactos da conduta humana na natureza.

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Biografia do Autor

Renan Henrique Baggio, Universidade Estadual do Norte do Paraná

Doutorado pelo Programa de Estudos Pós-Graduados em Filosofia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP (2021). Mestrado pelo Programa de pós-graduação em Filosofia da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - UNESP/Marília, na área de Ciências Cognitivas, Filosofia da Mente e Semiótica (2016). Graduação em Filosofia pela Universidade Estadual do Norte do Paraná - UENP (2013). Professor QPM de Filosofia na Secretaria de Estado da Educação do Paraná. Pesquisador do Centro de Estudos de Pragmatismo da PUC/SP. Pesquisador da Rede Brasileira de Pesquisa em Semiótica Peirceana. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Epistemologia, atuando principalmente nos temas de Pragmatismo e Semiótica.

Juliana Moroni, Universidade Estadual Paulista

Pós-doutoranda em Filosofia na UNESP, Marília, SP, com estágio pós-doutoral no Instituto Universitário de Lisboa - ISCTE. Professora, Pesquisadora e Poeta. Doutora em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ. Mestre, Bacharela e Licenciada em Filosofia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - UNESP - Marília-SP. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Filosofia da Mente e Ciências Cognitivas, Filosofia Ecológica, Filosofia da Informação, Ética da Informação e Interdisciplinar. Tem interesse em Epistemologia, Realismo, Problema mente/corpo, Percepção-ação, Self não-conceitual, Agency, Antirrepresentacionismo, Auto-Organização, Cognição Incorporada e Situada, Paradigma da Complexidade, Informação Ecológica, Affordances, Teorias da Informação, Epistemologia Ecológica, Ética da Informação, Psicologia e Psicologia Ecológica, Literatura, Poesia.

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Publicado

2023-11-16

Como Citar

Domiciano, J. L., Baggio, R. H., & Moroni, J. (2023). O papel da informação no processo sistêmico da mente: o antropoceno à luz de uma aproximação filosófica entre Peirce e Bateson. Cognitio: Revista De Filosofia, 24(1), e63904. https://doi.org/10.23925/2316-5278.2023v24i1:e63904