A lateral em coda no português urbano falado em São Tomé: velarização, vocalização, apagamento e contato linguístico
DOI:
https://doi.org/10.1590/1678-460X202541263881Palavras-chave:
velarização, vocalização, apagamento, português de São Tomé, contato linguísticoResumo
Este artigo discute a variação da lateral /l/ em coda no Português de São Tomé (PST). Pautados em um corpus elicitado composto por 552 ocorrências de 55 palavras, verificamos que a lateral /l/ em coda pode ser velarizada, vocalizada ou apagada: bolso ENT#091;ˈboɫ.sʊENT#093; ~ ENT#091;ˈbow.sʊENT#093; ~ ENT#091;ˈbo.sʊENT#093;. Tais processos foram avaliados mediante regressões logísticas com efeitos mistos, as quais sugerem a atuação de diferentes variáveis estruturais e sociais, como o domínio de uma segunda língua (L2), na implementação dos fenômenos. A velarização (56%) e a vocalização (14%) são favorecidas em sílabas tônicas, sendo ENT#091;ɫENT#093; mais recorrente nos dados de fala de monolíngues (62.5%) e ENT#091;wENT#093; na produção de falantes de kabuverdianu como L2 (30%). Já o apagamento (29%), além de ocorrer de forma expressiva em comparação com outras variedades do português, como a brasileira, demonstrou uma proporção de apagamentos similar entre monolíngues (30%) e bilíngues em português-kabuverdianu (29%). Desse modo, a alternância ENT#091;ɫENT#093; ~ ENT#091;wENT#093; ~ Ø, no PST, evidencia algumas das características inerentes a essa variedade, que, além de explicadas por aspectos estruturais, sugerem a relevância do contato linguístico.
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