Análise discursiva de “negro” e “preto” em dicionários de língua portuguesa
DOI:
https://doi.org/10.1590/1678-460X202440366560Palavras-chave:
Análise do Discurso francesa, Lexicografia, Dicionários, Negro/PretoResumo
O objetivo deste trabalho é fazer uma análise discursiva do registro de “preto” e “negro” em dicionários de língua portuguesa para reconhecer as marcas ideológicas encontradas nessas entradas. Para tanto, são usados como fundamentação teórico-metodológica os estudos da Análise do Discurso francesa e da Lexicografia. Partindo do primeiro dicionário de língua portuguesa – o Bluteau, de 1712 –, até os dicionários do século XXI, em um total de vinte obras, esta pesquisa analisa como os registros das entradas mencionadas são ideologicamente marcados e quais os efeitos de sentido produzidos. Também analisamos se, ao longo dos séculos, houve mudanças em tais registros no que diz respeito à ideologia. Os resultados indicam primeiramente que, nos dicionários selecionados, as definições são, em sua maioria, ideologicamente marcadas por um tom racista quanto às definições de “preto” e “negro”, fruto de um discurso pró-escravidão presente na sociedade que incide na produção desses verbetes. Em segundo lugar, apesar do longo período de mais de três séculos entre as obras, constatamos que, com raras exceções, os registros mantiveram praticamente as mesmas ideias.
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