"A vida se repete na estação”:

a formação continuada de professores de inglês em programas de iniciação à docência como prática de resistência

Autores

  • Gildete Cecilia Neri Santos Teles Secretaria de Estado da Educação e da Cultura de Sergipe

Palavras-chave:

Formação continuada de professores, Programas de iniciação à docência, Resistência docente, Educação menor, Neoliberalismo pedagógico

Resumo

Este artigo analisa como o Programa Residência Pedagógica (PRP) contribui para a formação continuada de professores de inglês em escolas de ensino médio integral, oferecendo resistência à lógica neoliberal que precariza o trabalho docente e compromete sua autonomia (Teles, 2023; Nascimento et al., 2024). Inserido nas perspectivas da educação menor (Gallo, 2002) e da Linguística Aplicada Crítica (Moita Lopes, 2009), o estudo qualitativo baseia-se no diário de campo e em observações de uma professora preceptora, destacando práticas colaborativas entre professores em serviço e licenciandos. Os resultados mostram que essas interações horizontais fortalecem a autonomia docente, promovem a autoavaliação (Rosa et al., 2024) e alinham as práticas pedagógicas à justiça social (Freire, 2007). A metáfora da canção “Encontros e despedidas” (Nascimento & Brant, 1985) ilustra a formação docente como um processo contínuo de encontros e reconstruções. Conclui-se que o PRP redefine a formação docente ao articular práticas pedagógicas críticas que resistem ao neoliberalismo pedagógico (Tello, 2013).

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

AKKARI, A. (2011). Internacionalização das políticas educacionais: transformações e desafios. Petrópolis, RJ: Vozes.

BRASIL. (2018a). Edital CAPES 06/2018. Chamada Pública para apresentação de propostas no âmbito do Programa de Residência Pedagógica. Disponível em: <http://capes.gov.br/images/stories/download/editais/27032018-Edital-6-Residencia-Pedagogica-Alteracao-II.pdf>. Acesso em: 24 nov. 2024.

BRASIL. (2018b). Edital CAPES n. 07/2018. Chamada Pública para apresentação de propostas no âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência. Disponível em: <https://www.capes.gov.br/images/stories/download/editais/01032018-Edital-7-2018-PIBID.pdf>. Acesso em: 24 nov. 2024.

BALL, S. J. (2009). Privatising Education, Privatising Education Policy, Privatising Educational Research: Network Governance and the “Competition State”. Journal of Education Policy, 24(1), p. 83-99. Disponível em: <http://eric.ed.gov/?id=EJ826693>. Acesso em: 23 nov. 2024.

COPATTI, C. (2020). O neoliberalismo chega à escola: discursos produzidos e possibilidades de enfrentamento pela dimensão ético-estética. In: FÁVERO, A. A., & TONIETO, C., & CONSALTÉR, E. (Org.) Leitura sobre Educação e Neoliberalismo, Curitiba: CRV, p. 375388.

DELEUZE, G., & GUATTARI, F. (2000). Mil platôs. Trad. Aurélio Guerra Neto e Célia Pinto Costa. São Paulo: Editora 34, v. 1.

FÁVERO, A. A., & TONIETO, C., & CONSALTÉR, E. (2020). Eficácia ou proselitismo? A escola sob os ditames do gerencialismo empresarial. In: FÁVERO, A. A., & TONIETO, C., & CONSALTÉR, E. (Org.) Leitura sobre Educação e Neoliberalismo, Curitiba: CRV, p. 27-40.

FREIRE, P. (1970). Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro, RJ: Paz e Terra.

FREITAS, L. C. (2018). A reforma empresarial da educação: nova direita, velhas ideias. 1. ed. São Paulo: Expressão Popular.

GADAMER, H. G. (2015). Verdade e método I: traços fundamentais de uma hermenêutica filosófica. Tradução Flávio Paulo Maurer. 15 ed. Petrópolis: Editora Vozes.

GALLO, S. (2002). Em torno de uma Educação menor. Educação & Realidade, 27(2): 169-178. Disponível em: <https://www.seer.ufrgs.br/index.php/educacaoerealidade/article/view/25926/15194>. Acesso em: 22 nov. 2024.

LAVAL, C. (2019). A escola não é uma empresa: O neoliberalismo em ataque ao ensino. Tradução Mariana Echalar. 1. ed. São Paulo: Boitempo.

MENEZES DE SOUZA, L. M. T. (2011). O professor de inglês e os letramentos no século XXI: métodos ou ética? In: JORDÃO, C. M., & MARTINEZ, J. Z., & HALU, R. C. (Orgs.). Formação “desformatada”: práticas com professores de língua inglesa. Coleção: Novas Perspectivas em Linguística Aplicada. Vol. 15. Campinas: Pontes Editores, p. 279-303.

MOITA LOPES, L. P. (2009). Da aplicação de Linguística à Linguística Aplicada Indisciplinar. In: PEREIRA, R. C., & ROCA, P. (Org.). Linguística Aplicada: um caminho com diferentes acessos. São Paulo: Contexto, p. 11-24, 2009.

NASCIMENTO, M., & BRANT, F. (1985). Encontros e despedidas. In: NASCIMENTO, M. Encontros e despedidas. Rio de Janeiro: Estúdios PolyGram, 1 disco sonoro.

NASCIMENTO, A. K. O. (2018). Neoliberalismo e Língua Inglesa: um estudo de caso por meio do Pibid. Ilha do Desterro [online], v. 71, n. 3, p. 39-58. Disponível em: <https://doi.org/10.5007/2175-8026.2018v71n3p39>. Acesso em 23 nov. 2024.

NASCIMENTO, A. K. O., & FAÇANHA, M. A. V., & SOUZA, M. A. A. (2019). PIBID e Residência Pedagógica: pensando a formação de Professores de línguas por meio dos subprojetos de inglês. Dossiê Especial FICLLA, Revista X, Curitiba, v. 14, n. 5, p. 106-125.

NASCIMENTO, A. K. O., & TELES, G. C. N. S., & ISMERIM, I. L. S. (2024). “Tem horas que eu realmente quero só ser professor de inglês”: O mundo “real” e o mundo da escola com o Novo Ensino Médio. Revista Brasileira de Linguística Aplicada, Belo Horizonte, v. 24, n. 3, e45082.

ROSA, A. A. S., & TELES, G. C. N. S., & BARRETO, J. P. S. (2024). Avaliação e autoavaliação como tecnologia formativa aplicada ao Programa Residência Pedagógica. Signum: Estudos da Linguagem, Londrina, v. 27, n. 1, p. 39-52. Disponível em: < https://doi.org/10.5433/2237-4876.2024v27n1p39-52>. Acesso em: 26 nov. 2024.

SERGIPE. (2021). Acordo de Cooperação Nº 03/2021. Acordo de cooperação que entre si celebram o Estado de Sergipe, por meio da Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura de Sergipe e Politize Instituto de Educação Política. Disponível em: <https://seduc.se.gov.br/download/termo-do-acordo-de-cooperacao-no-03-2021/>. Acesso em: 25 nov. 2024.

SOUZA, M. A. A., & NASCIMENTO, A. K. O., & FONSECA, A. L. S. B. (Org.). (2020). PIBID-UFS 2018: múltiplos caminhos na formação docente. São Paulo: Pimenta Cultural.

SPIVAK, G. C. (2013). An aesthetic education in the era of globalization. Cambridge, MA: Harvard University Press.

TELES, G. C. N. S. (2023). As identidades do professor de inglês no ensino médio integral em escolas públicas do Estado de Sergipe em tempos neoliberais. Tese (Doutorado) - Programa de Pós-Graduação em Letras, Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 253f.

TELES, G. C. N. S., & TELES, T. V. S. (2024). A relação entre o público e o privado na educação básica pública como modalidade neoliberal de privatização: o caso do ensino médio integral de Sergipe. Revista Tempos e Espaços em Educação, São Cristóvão, v. 17, n. 36, p. e19942. Disponível em: <https://periodicos.ufs.br/revtee/article/view/19942>. Acesso em: 25 nov. 2024.

TELLO, C. (2013). Apresentação. In: TELLO, C. (coord. e compilador). Epistemologías de la política educativa: posicionamentos, perspectivas y enfoques. Campinas: Mercado de Letras, p. 11-20.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE. (2021). Resolução nº 46/2021/CONEPE. Aprova a criação e regulamentação do Programa Licenciandos (as) na Escola, no âmbito dos cursos de Licenciatura da Universidade Federal de Sergipe. Gabinete do Reitor, Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão. Disponível em: <https://daffy.ufs.br/uploads/page_attach/path/14379/informativo_46_2021.pdf>. Acesso em: 24 nov. 2024.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE. (2022). Edital nº 46/2022/PROGRAD. Processo seletivo de estudantes de Licenciatura para o Programa Institucional Residência Pedagógica - PRP-UFS. Pró-Reitoria de Graduação, Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão. Disponível em: <https://prograd.ufs.br/uploads/page_attach/path/15942/MINUTA_EDITAL_PRP_RESIDENTES_2022_VERSA_O_RETIFICADA_03-10_word.pdf>. Acesso em: 25 nov. 2024.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE. (2024). Programa Licenciandos na Escola (PROLICE). Disponível em: <https://prograd.ufs.br/pagina/22723-programa-licenciandos-as-na-escola-prolice>. Acesso em: 24 nov. 2024.

WENGER, E., & SNYDER, W. M. (2000). Communities of practice: The organizational frontier. Harvard Business Review, 78, p.139-145.

ZACCHI, V. J. (2018). O terreno movediço da educação linguística crítica. In: PESSOA, R. R., & SILVESTRE, V. P. V., & MONTE MÓR, W. Perspectivas críticas de educação linguística no Brasil: trajetórias e práticas de professoras(es) universitárias(os) de inglês. 1. ed. São Paulo: Pá de Palavra, p. 241-251.

Publicado

2026-06-15

Como Citar

Neri Santos Teles, G. C. (2026). "A vida se repete na estação”: : a formação continuada de professores de inglês em programas de iniciação à docência como prática de resistência. DELTA: Documentação E Estudos Em Linguística Teórica E Aplicada, 41(2). Recuperado de https://revistas.pucsp.br/index.php/delta/article/view/69238

Edição

Seção

Artigos