E se ela não ouvir nada? Saúde feminina e surdez como lugar de exclusão

uma revisão integrativa

Autores

DOI:

https://doi.org/10.23925/2176-2724.2026v38i1e73157

Palavras-chave:

Saúde da Mulher, Língua de Sinais, Surdez, Acessibilidade aos Serviços de Saúde

Resumo

Introdução: A saúde de mulheres surdas é marcada por múltiplas vulnerabilidades que comprometem seu acesso equitativo aos serviços, especialmente no ciclo reprodutivo. Objetivo:  Analisar a saúde da mulher surda, identificando as barreiras enfrentadas no acesso aos serviços de saúde. Metodologia: Revisão integrativa da literatura utilizando os descritores deaf woman and sign language, sem restrição de idioma ou período. Foram incluídos estudos que abordassem saúde de mulheres surdas usuárias de língua de sinais e discutissem barreiras comunicacionais e acessibilidade. Dos 30 artigos recuperados, 11 atenderam aos critérios de elegibilidade. Resultados: Foram organizadas em três categorias: (1) Vulnerabilidade comunicacional – ausência de profissionais fluentes em língua de sinais, falta de intérpretes, limitação de tempo de consulta e uso de intermediários leigos; (2) Vulnerabilidade informacional e educacional – ausência de campanhas acessíveis, baixo letramento em saúde e desigualdade no conhecimento sobre métodos contraceptivos, exames preventivos e doenças crônicas; (3) Vulnerabilidade reprodutiva e sistêmica – início tardio do pré-natal, despreparo das equipes, desconhecimento sobre planejamento familiar e persistência do oralismo. Conclusão: Mulheres surdas enfrentam barreiras de acessibilidade aos serviços de saúde. É fundamental implementar e fiscalizar políticas que garantam intérpretes de língua de sinais, formação continuada em Libras para profissionais da saúde e materiais informativos acessíveis. Essas medidas são essenciais para assegurar um atendimento humanizado e alinhado aos direitos linguísticos e de saúde dessa população.

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Publicado

2026-02-20

Edição

Seção

Artigos