Criminalisation, marginalisation et confinement symbolique

les peuples autochtones et l'imaginaire national

Auteurs-es

  • João Lisboa Instituto Egon Schaden

DOI :

https://doi.org/10.23925/2596-3333.v1n1.73013

Mots-clés :

criminalisation, peuples autochtones, confinement symbolique, imaginaire

Résumé

Dans cet article, je souhaite réfléchir à la place occupée par les peuples autochtones dans l'imaginaire national en tant que facteur déterminant de leur criminalisation et de leur marginalisation, interférant avec les actions judiciaires, les vagues de violence et la perception générale de la population et des professionnels du droit à l'égard des peuples autochtones. Issu de régimes d'oubli et d'expulsion de la mémoire et de l'identité collective, cet imaginaire finit par reléguer les peuples autochtones à un confinement symbolique – au-delà du confinement territorial dans lequel vivent déjà de nombreux peuples – et les place entre le ciel et l'enfer, avec peu de place pour l'interaction avec les sujets humains qui habitent véritablement cette terre. À cette fin, je m'appuie sur des analyses sémiotiques, sociologiques et anthropologiques de nombreux épisodes, notamment des affaires judiciaires, des rapports spécialisés, des articles journalistiques, des manifestations culturelles et artistiques et d'autres documents. Je m'appuie sur des théoriciens du droit et des sciences humaines dans une revue bibliographique qui ne vise pas à épuiser le sujet, mais plutôt à provoquer une convergence d'idées et à fournir un soutien pour des recherches ultérieures. En conclusion, j'établis un lien critique entre cette imagerie répandue, la criminalisation des dirigeants et les actions des gouvernements récents qui ont enfreint les droits autochtones et environnementaux consacrés dans la Constitution fédérale de 1988.

Téléchargements

Les données relatives au téléchargement ne sont pas encore disponibles.

Références

ALMEIDA, Alfredo Wagner Berno de; MARIN, Rosa Elizabeth Acevedo; MELO, Eriki Aleixo de (Orgs). Pandemia e Território. São Luís: UEMA Edições/ PNCSA, 2020.

ANDERSON, Benedict. [1983]. Comunidades imaginadas: reflexões sobre a origem e a difusão do nacionalismo; tradução Denise Bottman. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

BAINES, Stephen G. 2009. “‘Esperando para ser Julgado’: Indígenas no Sistema Penitenciário de Boa Vista em Roraima”. In: Maria Inês Smiljanic, José Pimenta, Stephen Grant Baines (orgs.), Faces da indianidade. Curitiba: Nexo Design. pp. 169-186.

BANDEIRA, Jainne de Castro. A etnia Tenharim e a retomada dos direitos usurpados: uma leitura sobre os antagonismos entre a etnopolítica e os interesses capitalistas. Manduarisawa - Revista Eletrônica Discente do Curso de História – UFAM, Vol. 3, Nº 2, p. 47-67, 2019.

BATISTA, Juliana de Paula; GUETTA, Maurício. A judicialização das demarcações de terras indígenas: o caso de Morro dos Cavalos. In CUNHA, Manuela Carneiro da; BARBOSA, Samuel (Orgs.). Direitos dos povos indígenas em disputa. São Paulo: Unesp, 2018, p. 237-266.

BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Manual Resolução 287/2019 [recurso eletrônico]. Conselho Nacional de Justiça, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD); coordenação de Luís Geraldo Sant’Ana Lanfredi [et al.]. Brasília: CNJ, 2019.

CARVALHO, José Murilo de. A formação das almas: o imaginário da República no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.

FREIRE, Maria José Alfaro. A construção de um réu: Payakã e os índios na imprensa brasileira [recurso eletrônico] – Natal: EDUFRN, 2019.

HOBSBAWM, Eric J. Nações e nacionalismo desde 1780: programa, mito e realidade. Tradução Maria Celia Paoli; Anna Maria Quirino. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990.

LISBOA, João Francisco Kleba. Indigenous peoples and the judiciary in Brazil: an appeal for a legal anthropology approach. VIBRANT, v.19, p.1 - 20, 2022.

OLIVEIRA, João Pacheco de. O nascimento do Brasil e outros ensaios: “pacificação”, regime tutelar e formação de alteridades. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2016.

PEIRANO, Mariza. Uma antropologia no plural: três experiências contemporâneas. Brasília, DF: EdUnB, 1992.

RAPOZO, Pedro. “Necropolitics, State of Exception, and Violence Against Indigenous People in the Amazon Region During the Bolsonaro Administration”. Brazilian Political Science Review (2021) 15 (2), e0002 - 1/25.

RICARDO, Beto. Uma enciclopédia nos trópicos: memórias de um socioambientalista. [com Ricardo Arnt]. Rio de Janeiro: Zahar, 2024.

RODRIGUES, Nelson. Teatro completo [recurso eletrônico]: peças psicológicas e míticas e tragédias cariocas - 4. ed. - Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2017.

SAHLINS, Marshall. “O ‘pessimismo sentimental’ e a experiência etnográfica: por que a cultura não é um ‘objeto’ em via de extinção (parte I)”. Tradução de Déborah Danowski e Eduardo Viveiros de Castro. Mana vol.3 n.1 Rio de Janeiro Apr. 1997.

SEGATO, Rita. La crítica de la colonialidad em ocho ensayos y una antropología por demanda. 1ª Ed. Ciudad Autónoma de Buenos Aires: Prometeo Libros, 2013.

SHOHAT, STAM. Crítica da imagem eurocêntrica. Tradução Marcos Soares. São Paulo: Cosac Naify, 2006.

SILVA, Tédney Moreira da. 2016. No banco dos réus, um índio: criminalização de indígenas no Brasil. São Paulo: IBCCRIM.

SILVA, Tédney Moreira da. AMADO, Luiz Henrique Eloy. Sobre bugres e índios no espetáculo do crime: o medo da identidade indígena deformada em jornais do Mato Grosso do Sul. R. Dir. Gar. Fund., Vitória, v. 22, n. 3, p. 159-202, set./dez. 2021.

ZAFFARONI, Eugenio Raúl. Colonização punitiva e totalitarismo financeiro: a criminologia do ser-aqui; tradução e apresentação Juarez Tavares – 2ª ed. – Rio de Janeiro: Da Vinci Livros, 2024.

Publié-e

2026-08-11

Comment citer

Lisboa, J. (2026). Criminalisation, marginalisation et confinement symbolique : les peuples autochtones et l’imaginaire national. Revista Fronteiras Interdisciplinares Do Direito, 1(1), 598–616. https://doi.org/10.23925/2596-3333.v1n1.73013