<b>O tradutor de estilos - Entrevista de Ted Polhemus a Tarcisio D’Almeida</b.
Resumo
Considerado “guru dos estilos” e idealizador do conceito “supermercado de estilos”, o antropólogo Ted Polhemus é reticente quanto aos “roubos fashion” pela hegemônica indústria da moda e acredita na força e no poder da comunicação visual de estilos e comportamentos como formas de expressão humana. Na conturbada e agitada década de 1960, o antropólogo anglo-americano Ted Polhemus, 57, trocou os EUA pela Inglaterra, em especial, a ensolarada Califórnia (para onde os jovens costumavam ir) pela acinzentada e enevoada Londres. Esse contexto político-histórico de busca pela liberdade ideológica da era hippie e expansão da moda com o surgimento do prêt-à-porter possibilitou ao pesquisador estudar antropologia na Temple University, na Filadélfia. Em seguida, em Londres, desenvolveu seus estudos de mestrado sobre “Body Image and Adornment” (Imagem e Adorno do Corpo) na prestigiada University of London. O projeto de mapear as inter-relações entre corpo e estilo na concepção de moda e comportamento sempre norteou sua verve intelectual de um antropólogo comprometido com os fenômenos da atualidade, sobretudo os que decorrem a partir da contemporaneidade do século 20. Publicou Fashion & Anti-fashion: anthropology of clothing and adornment (Thames & Hudson, 1979), Streetstyle: from sidewalk to catwalk (Thames & Hudson, 1994) e Style Surfing: what to wear in the 3rd millennium (Thames & Hudson, 1996), entre outros. Em seu novo livro, Hot Bodies, Cool Styles: new techniques in self adornment (Thames & Hudson, 2004), lançado no final do ano passado, o “guru dos estilos” e pai do conceito “supermercado de estilos” dá mostras de como a onda global do entusiasmo para a decoração do corpo é enraizada em nosso passado e examina ainda seu sentido na prospecção do futuro. Polhemus tornou-se referência na literatura de moda e do corpo. Ao lado de outros pesquisadores do assunto, como Dick Hebdige, que conceituou a existência e relações das subculturas nas sociedades, Polhemus é um autêntico exemplo de vitalidade e atualidade ao refletir antropologicamente sobre moda e comportamento das tribos. Polhemus “descobriu” o Brasil: “É preciso mostrar ao mundo que o Brasil se encontra hoje muito bem servido quanto a criatividade e excelência em moda” e alerta que “nenhum estilista, nem mesmo grife alguma, tomada individualmente, pode fazer esse trabalho sozinho”. A seguir, leia entrevista de Polhemus, que esteve em agosto de 2004 pela primeira vez no Brasil, para o workshop “Brand Brasil: como os brasileiros imaginam que os estrangeiros imaginam o país”, além da palestra “Ideas Brands: a aparência como marca individual”, na Faculdade Senac de Moda, em São Paulo.Downloads
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