Lindonéia, Clandestinas e a prosa anônima das ruas: conversações entre arte, jornal e paisagem urbano-cultural

Mylène Goudet

Resumo


Os processos civilizatórios da América Latina se deram, e ainda se dão, de modos múltiplos, nunca completos e sempre aptos a incorporar textos exógenos. Por isso é necessário indisciplinar as fronteiras dos saberes, para nos relacionarmos com sua diversidade cultural (Martín-Barbero). Isso quer dizer que, no continente, os textos da cultura escapam às categorizações estanques e, quando postos em relação, acabam por intercambiar elementos de uma série cultural para outra (Pinheiro), produzindo alargamentos dialógicos entre suas fronteiras (Lotman). À luz desses conceitos, o artigo retoma experiências artísticas realizadas no Rio de Janeiro nas décadas de 1960 e 1970, por Rubens Gerchman e Antonio Manuel. Algumas obras desses artistas serão abordadas como arranjos expressivos inéditos entre séries culturais – o jornal, as artes plásticas e a paisagem urbano- cultural. Nessas experimentações, não podemos deixar de considerar o contexto da ditadura no Brasil, presente nas obras por meio de poéticas pouco óbvias, relacionadas com o cotidiano anônimo das ruas. Já o jornal impresso será tomado como objeto relacional que, no transbordamento de seus códigos próprios, abre-se para possibilidades de novas conexões e dobras de sistemas sobre outros sistemas – oralidade sobre o texto, da música sobre a poesia, do texto sobre a imagem, das artes gráfcas sobre a música etc.


Palavras-chave


arte; jornal; cidade; Antonio Manuel; Lindonéia.

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