Cansados e esgotados

trabalhadores precarizados no cinema de ficção brasileiro

Autores

Palavras-chave:

Cansaço, corpo, trabalhador, cinema brasileiro de ficção

Resumo

O artigo identifica figuras do cansaço e de seu estágio paroxístico, o esgotamento, em ficções do cinema brasileiro recente dedicadas a trabalhadores precarizados. Defende-se que tais estados corporais, por intermédio da forma fílmica, anunciam sensivelmente os mecanismos de poder infligidos sobre os trabalhadores. A fim de desvelar o nexo entre corpo e experiência social, elabora-se um quadro conceitual introdutório apto a analisar a fadiga como categoria estético-política cujos predicados compreendem um abatimento em curso, durativo, e a resistência corpórea em suportar o que afeta o sujeito. À luz do referencial teórico e da análise de Arábia (Affonso Uchôa e João Dumans, 2017), Breve miragem de sol (Eryk Rocha, 2019) e Mascarados (Marcela e Henrique Borela, 2020), argumenta-se que o cansaço do trabalhador é figurado por meio de práticas de seriação, de dispositivos de compressão espaço-visual e do instante residual da postura.

Biografia do Autor

Edson Costa Júnior, Unicamp

Edson Costa Júnior é professor participante temporário e pesquisador de pós-doutorado no Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp 21/02448-5). É doutor em Meios e Processos Audiovisuais pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) (Fapesp 14/09365-4), com estágio de pesquisa na Université Sorbonne Nouvelle - Paris 3 (Bepe 16/06820-8). Realizou pesquisa de pós-doutorado no Departamento de Artes Plásticas da ECA-USP com bolsa do Programa Nacional de
Pós-Doutorado da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (PNPD/Capes), período em que foi professor convidado no Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais (PPGAV).

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Publicado

2023-03-21

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