Escrever o tempo, inscrever o espaço.

Um estudo de três roteiros do cinema brasileiro contemporâneo

Autores

Palavras-chave:

estudos de roteiro, temporalidade, espacialidade, cinema brasileiro contemporâneo

Resumo

Este artigo investiga a construção da temporalidade e da espacialidade na escrita dos roteiros de três longas-metragens brasileiros dos anos 2010: Para ter onde ir (2016), de Jorane Castro; Unicórnio (2017), de Eduardo Nunes; e Para’í (2018), de Vinicius Toro. Com base no diálogo entre o campo dos estudos de roteiro e as pesquisas voltadas para o cinema de longa duração (De Luca, 2017; Doane, 2002; Monteiro, 2017; Mroz, 2012), nossa intenção é compreender, por meio da análise comparativa entre os filmes finalizados e seus respectivos roteiros, de que forma o ritmo da narrativa e o potencial dramatúrgico dos espaços estão presentes na escrita roteirística. Assim se coloca a problemática de base: é possível afirmar que as descrições presentes nas rubricas determinam o andamento e a importância da paisagem na obra fílmica pronta? Os três filmes escolhidos se caracterizam por um tratamento arguto da temporalidade e da espacialidade, sendo marcados por planos longos, quadros fixos e uma forte exploração do espaço nas narrativas.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Lúcia Ramos Monteiro, Universidade Federal Fluminense

Professora-adjunta do Departamento de Cinema e Vídeo da Universidade Federal Fluminense e docente de dois programas de pós-graduação, o Programa de Pós-Graduação em Cinema e Audiovisual (PPGCine-UFF) e o Programa de Pós-graduação em Meios e Processos Audiovisuais (PPGMPA-USP). Entre 2022 e 2025, fez parte do programa Jovem Pesquisador do Nosso Estado, da FAPERJ.

Gustavo de Souza Araujo, Universidade Federal Fluminense

Mestre em Cinema e Audiovisual pelo Programa de Pós-Graduação em Cinema e Audiovisual da Universidade Federal Fluminense (PPGCine-UFF), com dissertação sobre a temporalidade no roteiro. Realiza atualmente pesquisa de doutorado, também no PPGCine-UFF. 

Nina Mendes, Universidade Federal Fluminense

Bacharel em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal Fluminense (UFF), realizou pesquisa de iniciação científica (Pibic-CNPq) sobre a escrita do espaço no roteiro audiovisual. 

Clara Couto Anido, Universidade Federal Fluminense

Licenciada em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e formada pela Escola Técnica Estadual de Teatro Martins Penna. Realizou duas pesquisas de iniciação científica (Pibic-CNPq e IC-FAPERJ) sobre roteiro, cinema de fluxo, cinema de longa duração e cinema lento.
.

Referências

ALMEIDA, Simão Farias. Contingências socioambientais do roteiro do filme Aquarius. Esferas, n. 21, p. 167-184, 2021.

ARAUJO, Gustavo de Souza. Temporalidade e estudos de roteiro. Proposta metodológica a partir da análise de dois filmes. Dissertação de mestrado. Niterói, PPGCine-UFF, 2025.

BONAMY, Robert. Le fond cinématographique. Paris: L’Harmattan, 2013.

BONITZER, Pascal; CARRIÈRE, Jean-Claude. Prática do roteiro cinematográfico. São Paulo: JSN Editora, 1996.

CARRIÈRE, Jean-Claude. A linguagem secreta do cinema. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.

CHIARETTI, Maria Leite. O cinema instável de Jacques Rivette e John Cassavetes: happening, improvisação, teatralidade. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo. 2019.

CRARY, Jonathan. 24/7: Capitalismo tardio e os fins do sono. Trad. Joaquim Toledo Jr. São Paulo: Cosac Naify, 2014.

CRUZ, Coral. Imágenes narradas: cómo hacer visible lo invisible en un guión de cine. Barcelona: Laertes S. A. de Ediciones, 2014

DE LUCA, Tiago. On Length: A Short History of Long Cinema. Artigo. In: Aniki: Revista Portuguesa da Imagem em Movimento, v. 4, p. 335-352, 2017.

DOANE, Mary Ann. The emergence of cinematic time: modernity, contingency, the archive. Harvard University Press, v. 2, p. 1830-1904, 2002.

GONÇALO, Pablo; MONTEIRO, Lúcia. O que os estudos de roteiro provocam no campo dos estudos cinematográficos?. In: GONÇALO, Pablo; MONTEIRO, Lucia. (org.). Esferas, 1, (21), p. 1-16, 2021.

FER, Ester Marçal. “O processo criativo do roteiro de ‘Los Silencios’: uma aproximação”. Epistemologias do Sul, v. 4, n. 2, p. 172-187, 2020.

FIELD, Syd. Manual do roteiro. São Paulo: Editora Objetiva, 2001.

FLANAGAN, Matthew. ‘Slow Cinema’: Temporality and Style in Contemporary Art and Experimental Film”. (Tese de doutorado). Exeter, Univesity of Exeter, 2012.

GAUDIN, Antoine. L’espace cinématographique: esthétique et dramaturgie. Paris: Armand Colin, 2015.

GONÇALO, Pablo. Quando filmes são palavras: uma introdução aos estudos de roteiro. Raído, v. 11, n. 28, p. 123-140, 2017.

JENKINS, Henry. Game Design as Narrative Architecture. In: WARDRIP-FRUIN, N.; HARRIGAN, P (eds.). First person: New media as story, performance, game. Cambridge: The MIT press, 2004. p. 118-130.

LEAL, Rafael. Pequena introdução à poética do roteiro audiovisual. In: LEAL, Rafael. (org.). Roteiro Audiovisual: estudos contemporâneos. Editora PUC-Rio; São Paulo: Edições Loyola Jesuitas, 2023. p. 13-34.

LEVY, Joanise. Environmental storytelling: a articulação entre espaço e enredo. In: GONÇALO, Pablo; MONTEIRO, Lúcia. (org.). Esferas, 1(21), p. 185-197, 2021.

MARAS, Steven. Algumas posturas e trajetórias da pesquisa em roteiro. In: LEAL, Rafael. (org.). Roteiro Audiovisual: estudos contemporâneos. Editora PUC-Rio; São Paulo: Edições Loyola Jesuitas, 2023. p. 55-70.

MARTINS, India Mara. A paisagem potencializando a atmosfera fílmica em Viajo porque preciso, volto porque te amo. Contemporanea, v.17 – n.02 – maio-ago 2019 – p. 183-382.

MONTEIRO, Lúcia Ramos. “O cinema existe e resiste. Longa duração, análise fílmica e espectatorialidade nos filmes de Lav Diaz”. Aniki: Revista Portuguesa da Imagem em Movimento, v. 4, p. 434-455, 2017.

MOSS, Hugo. Como formatar seu roteiro. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2002. MROZ, Matilda. Temporality and Film Analysis. Edimburgo: Edinburgh University Press, 2012.

MURPHY, John J. Where are you from? Place as a form of scripting in independent cinema, Journal of Screenwriting, v. 5, n. 1, p. 27-45, doi: 10.1386/jocs.5.1.27_1, 2014.

NANNICELLI, Ted. Seria o roteiro uma obra de arte?. In: GONÇALO, Pablo; MONTEIRO, Lúcia. (org.). Esferas, 1(21), 28-46, 2021.

PASOLINI, Pier Paolo, & CALHEIROS, Alex. O roteiro como “estrutura” que quer ser outra “estrutura”. In: GONÇALO, Pablo; MONTEIRO, Lúcia. (org.). Esferas, 1(21), 17-27, 2021.

TORO, Vinicius Mantovani Contrera. Ficção em terra indígena: enredo, encenação e narração na construção do filme Para’í junto aos Guarani Mbya do Jaraguá. Dissertação de Mestrado. São Paulo, PPGMPA, 2023.

Downloads

Publicado

2026-06-28

Como Citar

Ramos Monteiro, L., Araujo , G. de S., Mendes, N., & Anido, C. C. (2026). Escrever o tempo, inscrever o espaço.: Um estudo de três roteiros do cinema brasileiro contemporâneo. GALÁxIA. Revista Interdisciplinar De Comunicação E Cultura, 51(1), e69569. Recuperado de https://revistas.pucsp.br/index.php/galaxia/article/view/69569

Edição

Seção

Artigos | Articles