Desinformação e mediação jornalística
análise dos elementos narrativos e das fontes do G1 sobre declarações de Jair Messias Bolsonaro na pandemia
Palavras-chave:
desinformação, jornalismo, estrutura da notícia, covid-19Resumo
O objetivo deste artigo é analisar como o portal de notícias G1, pertencente ao Grupo Globo, estruturou narrativas jornalísticas para aferir declarações do ex-presidente da República, Jair Messias Bolsonaro (2019-2022), relacionadas à pandemia de Covid-19. O percurso metodológico é constituído pelo estudo de caso único, conforme Yin (2001), com o apoio da análise de conteúdo (Bardin, 2002), a partir da definição de quatro categorias analíticas: desinformação, com base na tipologia proposta por Wardle e Derakhshan (2017); elementos jornalísticos, considerando as formulações de Lage (2008) acerca da estrutura da notícia e da organização narrativa; e fontes consultadas, também fundamentadas na classificação de Lage, além da avaliação da agência de checagem Fato ou Fake. Conclui-se que as declarações analisadas apresentam aproximações com conteúdos deliberadamente enganosos, e que as matérias do G1 recorrem à estrutura clássica da notícia, pela contextualização e mobilização de fontes institucionais, especializadas e documentais para qualificar a informação. Desse modo, evidencia-se o papel mediador do jornalismo na reordenação de declarações públicas à luz de critérios de verificação, contribuindo para a delimitação factual em um contexto de crise sanitária e intensa circulação de desinformação.
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